XP mantém 16 fundos imobiliários favoritos e reajusta pesos em junho
Corretora reduz posições em dois FIIs e aumenta exposição em outros dois para o próximo mês

A XP Investimentos decidiu manter sua carteira recomendada de fundos imobiliários para junho sem grandes mudanças. A corretora não entrou e saiu de ativos — apenas mexeu nos pesos de cada posição, rebalanceando as apostas entre os 16 fundos que segue com atenção.
Os ajustes foram precisos e cirúrgicos. A XP reduziu a participação em LVBI11 e PVBI11 em 0,5 ponto percentual cada um. Ao mesmo tempo, aumentou na mesma proporção a exposição ao XPLG11 e ao HGBS11. São mudanças pequenas em termos de pontos percentuais, mas refletem uma visão sobre quais fundos devem ocupar mais espaço na carteira conforme junho se aproxima.
Para quem investe em fundos imobiliários — e no Tocantins temos uma base crescente de investidores que recebem dividendos mensais por meio desses ativos — essas recomendações importam. Os FIIs funcionam como condomínios abertos: você compra cotas e participa dos aluguéis e receitas que o fundo gera. A diferença é que em vez de um imóvel físico, você tem uma cesta diversificada de propriedades ou empréstimos imobiliários.
Os nomes na carteira da XP são conhecidos entre investidores mais experientes. LVBI11 é um fundo ligado ao Lopes, grande incorporadora brasileira. PVBI11 representa participações em portfólios de shoppings e centros comerciais. XPLG11 é o fundo de logística da própria XP, focado em galpões e centros de distribuição — segmento que explorou nos últimos anos com a explosão do e-commerce. HGBS11 é ligado à Highline, com foco em imóveis de renda.
A decisão de reduzir LVBI11 e PVBI11 pode soar como um sinal de cautela. Shopping centers vivem pressão desde a pandemia — as pessoas mudaram hábitos de consumo e compram mais pela internet. Já os fundos de incorporadoras tradicionais enfrentam cenários de juros mais altos e demanda incerta no mercado imobiliário residencial. Aumentar a exposição ao XPLG11 e ao HGBS11 sugere que a corretora prefere os ativos ligados à logística e à renda regular.
O contexto macro ajuda a entender por que a XP faz essas escolhas. Com a taxa de juros em patamar mais elevado, o mercado imobiliário tradicional desacelera. Pessoas sentem mais dificuldade para contratar financiamento. Empresas, porém, seguem precisando de espaço para guardar mercadorias e distribuir produtos. Daí o interesse em fundos de logística, que têm contratos de longo prazo e receita mais previsível.
Essas recomendações da XP não são mandatos. Cada investidor segue sua própria estratégia e tolerância ao risco. Mas elas funcionam como um termômetro do que grandes gestoras estão enxergando no radar para o próximo período. Quando um player importante do mercado mexe em alocações, é porque vê razões para acreditar que certos segmentos funcionarão melhor que outros.
Para o investidor tocantinense que busca diversificar além de ações e títulos públicos, fundos imobiliários são opção cada vez mais acessível. O valor mínimo para entrar é baixo — custa o preço de uma cota, normalmente entre dez e cem reais. E os dividendos podem ser interessantes, especialmente em momentos em que a bolsa passa por volatilidade.
O que vem adiante dependerá de como a economia responde aos juros altos, da capacidade de as pessoas continuarem pagando aluguéis, e de quantos centros de distribuição o país ainda precisa construir para atender à demanda de logística. A XP, ao mexer nesses pesos, aposta que logística e renda regular saem na frente por enquanto.