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Fogo no campo: seca e calor espalham prejuízos no Tocantins e vizinhos

Incêndios rurais atingem áreas de criação e plantação em três estados; no TO, a seca agrava situação de produtores

📝 Redação CCN01 de setembro de 2026 às 11:45👁 13 leituras
Fogo no campo: seca e calor espalham prejuízos no Tocantins e vizinhos

O gado correu para escapar das chamas em fazendas do interior do Tocantins e de outros dois estados na semana passada. O fogo avançou rápido sobre pastagens e plantações, deixando dezenas de produtores com prejuízos e obrigando alguns a abandonar suas casas. Em Jangada, no Mato Grosso, imagens mostram animais em pânico enquanto as chamas consomem a vegetação seca, um cenário que se repete em terras tocantinenses.

O tempo seco e as temperaturas elevadas criaram um ambiente perfeito para a propagação dos incêndios. No Tocantins, a situação se agravou porque a estiagem prolongada já vinha prejudicando a agricultura e a pecuária. Produtores relataram que o fogo atingiu áreas de 120 hectares em algumas propriedades, destruindo não só pastos como também plantações de soja e milho. Em municípios como Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, relatos de queimadas irregulares se intensificaram nos últimos dias, com moradores acusando a falta de fiscalização como um dos motivos para o alastramento.

Os prejuízos não param na porteira das fazendas. Familiares de trabalhadores rurais tiveram que deixar suas casas temporariamente em busca de segurança, enquanto outros perderam equipamentos agrícolas e estoques de ração. Em uma das propriedades atingidas, o fogo chegou a menos de 50 metros de um galpão de armazenamento, o que poderia ter sido catastrófico caso o vento mudasse de direção. A Defesa Civil do Tocantins confirmou que equipes foram mobilizadas para conter as chamas, mas a extensão dos danos ainda está sendo avaliada.

A seca não é novidade para quem vive no campo tocantinense. Nos últimos meses, o estado registrou índices de chuva abaixo da média, o que já havia reduzido a produtividade das lavouras e encarecido a alimentação do gado. Agora, com os incêndios, a situação piora: produtores que já enfrentavam dificuldades com a falta d’água agora têm que lidar com a perda de pastagens e a possibilidade de multas por queimadas não autorizadas. Em algumas regiões, a fumaça chegou a atrapalhar o tráfego de caminhões que transportam grãos para os portos do Norte do país.

A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins (Semarh) informou que está investigando as causas dos incêndios, mas suspeita que grande parte deles tenha origem em ações humanas, seja por limpeza de terreno sem autorização ou negligência com fogueiras. O órgão alertou que, com a continuidade do tempo seco, o risco de novos focos permanece alto. Enquanto isso, associações de produtores rurais pedem mais fiscalização e apoio do governo estadual para evitar que a situação se agrave ainda mais.

O cenário preocupa quem depende da terra para sobreviver. Em uma fazenda próxima a Gurupi, um produtor contou que perdeu 30 cabeças de gado em um incêndio há dois anos e agora teme que a história se repita. "A gente já sabe que o Tocantins está seco, mas ninguém espera que o fogo chegue tão rápido e destrua tudo", disse ele, pedindo anonimato. Enquanto as autoridades não apresentam soluções definitivas, a população rural segue em alerta, torcendo para que as chuvas cheguem antes que mais prejuízos sejam registrados.

A Defesa Civil estadual mantém plantão em municípios críticos e orienta a população a denunciar focos de incêndio pelo número 199. A orientação é evitar queimadas controladas e, em caso de fogo, acionar imediatamente os bombeiros pelo 193. Com a estiagem prevista para se estender até outubro, a prevenção continua sendo a única ferramenta para evitar que mais famílias sejam atingidas.