Fogo no campo: seca e calor espalham prejuízos no Tocantins e vizinhos
Incêndios atingem áreas rurais de três estados; no Tocantins, a situação preocupa produtores e moradores de regiões como Jalapão e Bico do Papagaio

O gado correu para escapar das chamas em fazendas do Mato Grosso, mas o fogo não parou por lá. No Tocantins, a seca prolongada e as temperaturas altas transformaram pastos e plantações em lenha, e os incêndios avançaram rápido. Na última semana, três estados — Mato Grosso, Tocantins e Rondônia — viram o fogo consumir hectares de terra, deixando prejuízos para quem vive do campo.
Na cidade de Jangada, no Mato Grosso, o fogo tomou conta de lavouras e pastagens, obrigando dezenas de produtores a abandonar suas casas. O prejuízo foi grande: 120 hectares foram atingidos, e o gado, assustado, fugiu para áreas mais seguras. A cena, registrada em vídeo, mostra o desespero dos animais e a fumaça cobrindo o horizonte. No Tocantins, a situação não é diferente. A estiagem que já dura meses secou rios e represas, deixando o solo ressecado e as plantas vulneráveis. Sem chuvas, o fogo se alastra com facilidade, e os bombeiros têm dificuldade para conter as chamas em áreas de difícil acesso.
Para quem vive no campo tocantinense, a seca já é um problema conhecido. Em regiões como o Jalapão e o Bico do Papagaio, os produtores dependem da água das chuvas para manter as plantações e os animais. Com o tempo seco, a conta chega rápido: pastos queimados, animais desnutridos e a água cada vez mais escassa. Em algumas propriedades, os donos tiveram que vender parte do gado para não perder tudo. A situação afeta não só a economia local, mas também o abastecimento de alimentos, já que o Tocantins é um dos principais produtores de grãos e carne do Norte do país.
Os números mostram o tamanho do estrago. Só em Jangada, no Mato Grosso, 120 hectares foram destruídos pelo fogo. No Tocantins, as queimadas já consumiram centenas de hectares em municípios como Dianópolis, Taguatinga e Paranã, segundo dados do Corpo de Bombeiros. Os bombeiros do estado trabalham em plantão, mas a falta de chuvas e o vento forte atrapalham o combate. Em algumas áreas, o fogo já chegou a menos de 500 metros de residências, obrigando moradores a deixar suas casas.
A Defesa Civil do Tocantins emitiu alertas para 15 municípios, pedindo que a população evite queimar lixo e restos de plantações. A orientação é clara: qualquer faísca pode virar um incêndio de grandes proporções. Os produtores rurais, por sua vez, estão se organizando para combater as chamas com ajuda de vizinhos e equipamentos próprios, já que os recursos públicos são limitados. A situação é crítica, e a expectativa é de que o tempo seco continue nas próximas semanas.
O governo estadual anunciou que vai reforçar as equipes de combate ao fogo, mas a solução definitiva depende das chuvas. Enquanto isso, os moradores do campo seguem em alerta, com medo de perder tudo o que construíram. A seca não é novidade no Tocantins, mas os incêndios deste ano mostram que o problema está piorando. E para quem depende da terra, cada dia sem chuva é um dia a mais de incerteza.
A previsão do tempo para os próximos dias não traz alívio: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de seca para grande parte do estado. Com isso, a luta contra o fogo deve continuar, e os produtores rurais terão que se adaptar a uma realidade cada vez mais difícil. A pergunta que fica é: até quando o Tocantins vai aguentar?