Enchentes no Nepal e Tibete deixam centenas desaparecidos
Cenário de devastação após enchente repentina sem chuva intensa; avalanche pode ter causado tragédia
Reel: @capitalcomnoticias (Instagram)
O Nepal e a região autônoma do Tibete enfrentam uma das piores tragédias recentes após uma enchente repentina que varreu vilarejos e deixou centenas de pessoas desaparecidas. O fenômeno, que não teve relação com chuvas intensas, surpreendeu moradores e autoridades, transformando rios em correntes violentas em questão de minutos. Autoridades ainda investigam a causa exata, mas indícios apontam para uma possível avalanche que teria deslocado toneladas de gelo e rochas, desencadeando o desastre.
Nas últimas 48 horas, equipes de resgate trabalham sem descanso em meio a escombros e lama, enquanto moradores tentam localizar familiares entre os desaparecidos. A região mais afetada fica próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete, onde comunidades inteiras foram isoladas pela força da água. Testemunhas descrevem cenas de casas arrastadas, pontes destruídas e estradas interditadas, dificultando o acesso de socorro. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o número exato de vítimas, mas relatos preliminares falam em dezenas de mortos e centenas ainda não localizados.
O que intriga especialistas é a ausência de chuvas fortes antes da enchente, fenômeno incomum na região. Normalmente, enchentes nessa época do ano estão ligadas a monções ou degelo acelerado, mas a hipótese de uma avalanche ganha força. Autoridades locais do Tibete já haviam registrado atividade sísmica leve na semana passada, o que poderia ter contribuído para o desprendimento de gelo em áreas montanhosas. No Nepal, o governo declarou estado de emergência em três distritos, enquanto o Exército e voluntários usam drones para mapear áreas de risco e localizar sobreviventes.
Os sobreviventes relatam que o barulho da água chegando foi ensurdecedor, seguido por um escuro total quando a corrente levou tudo ao redor. "A água veio tão rápido que não deu tempo de reagir", contou um morador que perdeu a casa e agora abriga parentes em um abrigo improvisado. A falta de energia elétrica e comunicação agrava a situação, com muitos ainda sem notícias de parentes que estavam em áreas isoladas. Autoridades pedem que a população evite se aproximar de leitos de rios e encostas, onde novos deslizamentos podem ocorrer.
Até agora, os números oficiais são parciais. No Nepal, 23 corpos foram recuperados, mas 180 pessoas ainda constam como desaparecidas, segundo a Defesa Civil local. No Tibete, a mídia estatal chinesa informou que 15 mortes foram confirmadas, mas não detalhou o número de desaparecidos. Equipes internacionais de resgate, incluindo da Cruz Vermelha, já foram acionadas, mas o acesso às áreas mais afetadas segue limitado pela destruição das estradas. Helicópteros do Exército nepalês tentam lançar suprimentos, como água e alimentos, para comunidades cercadas.
O que se sabe até agora aponta para um cenário de devastação sem precedentes na região. A hipótese de uma avalanche como gatilho ganha força entre geólogos, que destacam a instabilidade das geleiras no Himalaia, agravada pelas mudanças climáticas. "Esses eventos estão se tornando mais frequentes e imprevisíveis", afirmou um pesquisador da Universidade de Pequim, que estuda o impacto do degelo na região. Enquanto isso, governos locais tentam organizar abrigos temporários para os desalojados, que agora enfrentam noites frias e a incerteza sobre o futuro.
As próximas horas serão decisivas. Autoridades alertam que a prioridade é salvar vidas, mas a logística é complexa. Pontes caíram, estradas sumiram e o tempo fechou, dificultando o trabalho das equipes. No Nepal, o primeiro-ministro convocou uma reunião de emergência com governadores e forças de segurança para coordenar ações. No Tibete, o governo chinês já enviou equipes médicas e engenheiros para reforçar as buscas. A pergunta que fica é: quantos ainda estão vivos sob os escombros?