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Agricultura resiliente freia alta de preços em safras

Pesquisas da Embrapa e FGV mostram como variedades adaptadas ao clima ajudam a estabilizar inflação em 2024

📝 Redação CCN29 de agosto de 2026 às 14:55👁 13 leituras
Agricultura resiliente freia alta de preços em safras

O avanço das mudanças climáticas tem pressionado os preços dos alimentos, mas uma solução vem ganhando força nos últimos anos: o desenvolvimento de variedades agrícolas mais resistentes. Segundo o coordenador dos Índices de Preços da FGV IBRE, André Braz, essas inovações têm reduzido os impactos da sazonalidade na inflação, especialmente em períodos de seca ou excesso de chuvas. A Embrapa, referência em pesquisa agropecuária no país, tem sido protagonista nesse processo, com investimentos em culturas que suportam condições adversas sem perder produtividade.

A estratégia não é nova, mas ganhou urgência nos últimos cinco anos. Com o clima cada vez mais imprevisível, lavouras tradicionais sofrem com perdas significativas quando o tempo não colabora. A soja, por exemplo, já enfrentou quebras de safra em regiões antes consideradas estáveis. A solução tem sido a criação de plantas com maior tolerância à seca ou ao calor intenso, capazes de manter a produção mesmo em condições extremas. "O mercado sente menos os efeitos sazonais quando as variedades são adaptadas", explica Braz. "Isso evita picos de preços que costumavam ocorrer em determinadas épocas do ano."

Para quem depende da agricultura, seja como produtor ou consumidor, a diferença é palpável. Produtores rurais relatam menor necessidade de replantio e custos reduzidos com irrigação, enquanto os preços no varejo se mantêm mais estáveis. Em 2023, a inflação de alimentos no Brasil foi 5,79% acima da média geral, segundo o IBGE. No entanto, em 2024, a variação tem sido menor em produtos como feijão e milho, justamente aqueles que receberam mais atenção em pesquisas de resistência.

A Embrapa não trabalha sozinha. Parcerias com universidades e empresas de sementes aceleram o lançamento de novas variedades. Em 2023, foram registradas 12 novas cultivares de soja com maior tolerância à seca, número recorde nos últimos dez anos. "O desafio é equilibrar produtividade e adaptação", diz um pesquisador da instituição, que preferiu não se identificar. "Não adianta uma planta sobreviver à seca se não der bons frutos. Por isso, os testes são rigorosos."

O próximo passo é expandir essas tecnologias para culturas menos estudadas, como hortaliças e frutas. A meta é reduzir em até 30% a dependência de chuvas para a produção de alimentos básicos até 2030. Enquanto isso, a FGV monitora os índices de preços para avaliar o impacto dessas inovações. "Ainda há muito a fazer", admite Braz. "Mas já vemos resultados concretos que beneficiam toda a cadeia."

Ainda não há previsão de quando essas variedades estarão disponíveis em larga escala para todos os produtores. No entanto, o ritmo atual sugere que, em breve, a mesa do brasileiro poderá contar com alimentos mais baratos e estáveis, independentemente das condições climáticas.