Luxemburgo quer mudar escala de trabalho e pede ajuda federal
Pré-candidato ao Senado pelo Tocantins defende fim da escala 61 durante campanha no sul do estado nesta terça-feira

Vanderlei Luxemburgo trouxe para o debate público uma questão que mexe no bolso e na saúde de milhares de tocantinenses. O pré-candidato ao Senado pela legenda do Podemos visitava Alvorada, na região sul, quando decidiu colocar na agenda a mudança na jornada de trabalho que afeta profissionais de diversos setores do estado. Ele defende que seja encerrada a escala 61, substituída pela escala 52, argumentando que essa transição seria fundamental para quem trabalha em turnos e precisa equilibrar profissão com vida pessoal.
Para quem não acompanha esse tipo de discussão, a escala 61 funciona assim: seis dias seguidos trabalhando e apenas um dia de folga. Quem vive essa rotina, especialmente enfermeiros, policiais, motoristas e outros profissionais de setores essenciais, sabe bem o peso que isso deixa no corpo e na mente. O cansaço acumula, o tempo com a família fica escasso, e a saúde mental sofre. A mudança para a escala 52 promete aliviar essa pressão, alterando para cinco dias trabalhados e dois de descanso.
Mas Luxemburgo não apresenta a proposta como uma simples questão de benevolência. O pré-candidato compreende que mudar a estrutura de trabalho exige planejamento cuidadoso. Segundo ele, a transição precisa vir acompanhada de responsabilidade financeira e, principalmente, com o apoio direto do Governo Federal. Essa parceria seria essencial para que as empresas tocantinenses consigam se adequar às novas regras sem sofrer prejuízos econômicos significativos. Luxemburgo reafirma que só dessa forma a mudança não vira um tiro no pé para a economia local.
A discussão sobre escalas de trabalho no Tocantins não é novidade. Há anos, trabalhadores e patrões batem de frente sobre qual seria o melhor modelo. Do lado dos profissionais, as argumentações são fortes: saúde física abalada, psicológico desgastado, pouco tempo para estar com quem amam. Do lado das empresas, há preocupação com custos operacionais e viabilidade de manter a produção com mudanças significativas na jornada.
O que diferencia a proposta de Luxemburgo é a tentativa de equilibrar esses interesses. Ao defender a participação federal, ele admite que essa é uma mudança grande demais para ser enfrentada apenas em nível estadual ou empresarial. A questão agora é se esse discurso ganhará força suficiente para sair do campo das promessas e virar realidade nas fábricas, hospitais e delegacias do Tocantins. Por enquanto, milhares de trabalhadores tocantinenses continuam completando seus ciclos de seis dias de labor, esperando que alguém realmente faça a mudança acontecer.