Gírias no trabalho podem manchar a imagem profissional em Palmas
Uso excessivo de expressões informais em ambientes corporativos pode prejudicar carreira no Tocantins, alertam especialistas

O jeito de falar no trabalho pode abrir ou fechar portas em Palmas. Expressões como "tá ligado?", "né?" ou gírias regionais, quando usadas em excesso, acabam criando uma imagem de desleixo ou falta de profissionalismo entre colegas e chefias. O alerta vem de profissionais de recursos humanos e consultores de carreira que atendem empresas no Tocantins, especialmente na capital, onde o mercado exige cada vez mais formalidade.
Em um estado como o Tocantins, onde o setor de serviços responde por mais de 60% do PIB local, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado (FIETO), a forma como os profissionais se comunicam pode ser decisiva para uma promoção ou até mesmo para conseguir uma vaga. Em Palmas, por exemplo, empresas de call center, escritórios de advocacia e até mesmo órgãos públicos têm registrado casos de colaboradores que perderam oportunidades por conta do uso constante de linguagem informal. "Em setores mais dinâmicos, como o comercial, o uso de gírias pode até ser tolerado em momentos de descontração, mas quando vira padrão, passa a ser visto como falta de maturidade profissional", explica uma consultora de carreira que atende empresas na região Norte do estado.
O problema não é exclusivo de Palmas. Em cidades como Gurupi, Porto Nacional e Araguaína, recrutadores têm observado que candidatos com formação técnica ou superior muitas vezes não conseguem se destacar em processos seletivos justamente por não ajustarem a linguagem ao ambiente corporativo. "Já tivemos casos de profissionais com excelente currículo, mas que foram reprovados em entrevistas porque usavam termos como 'cara', 'brother' ou 'tá bom' com frequência. Isso passa uma impressão de que a pessoa não está preparada para representar a empresa", relata um gerente de RH de uma rede de supermercados com unidades em todo o Tocantins.
Para quem está começando no mercado, a dica é simples: adaptar o vocabulário ao ambiente de trabalho. Em setores mais formais, como bancos, escritórios de contabilidade ou empresas de tecnologia, a recomendação é evitar gírias e expressões coloquiais. Já em ambientes mais descontraídos, como startups ou empresas de comunicação, o uso controlado de linguagem informal pode até ser bem-visto, desde que não prejudique a clareza da comunicação.
A preocupação não é apenas estética. Em um estado onde o desemprego ainda é um desafio — a taxa de desocupação no Tocantins ficou em 9,1% no primeiro trimestre de 2024, segundo o IBGE —, cada detalhe conta na hora de conquistar uma vaga. Em Palmas, onde o mercado de trabalho é mais competitivo, profissionais de áreas como vendas, atendimento ao cliente e gestão precisam redobrar a atenção. "Aqui, a diferença entre um 'sim' e um 'tá bom' pode ser a diferença entre fechar um negócio ou perder um cliente", comenta um vendedor de uma loja de eletrodomésticos no centro da cidade.
O Tribunal Regional do Trabalho do Tocantins (TRT-10) já incluiu em seus treinamentos para estagiários e servidores a importância da comunicação formal no ambiente de trabalho. "A linguagem é uma ferramenta de poder. Saber usá-la adequadamente pode abrir portas que, de outra forma, permaneceriam fechadas", afirma um servidor do órgão, que preferiu não ser identificado. A orientação vale também para quem busca ingressar no serviço público, onde a formalidade é regra.
Para quem ainda não sabe por onde começar, algumas empresas de Palmas oferecem treinamentos de comunicação corporativa. Empresas como a Sodexo, que atua em diversos setores no estado, incluem módulos sobre etiqueta profissional em seus programas de integração. "Não se trata de eliminar a personalidade, mas de mostrar que o profissional sabe se adequar ao contexto", explica um instrutor de um desses cursos.
A tendência, segundo observadores do mercado tocantinense, é que a exigência por comunicação formal aumente nos próximos anos, especialmente com a chegada de novas empresas e a expansão de multinacionais no estado. Em 2023, o Tocantins registrou um crescimento de 5,2% no número de empresas abertas, segundo a Junta Comercial do Estado (Jucex). Nesse cenário, quem não se adaptar pode ficar para trás.
A dica final para os profissionais tocantinenses é observar como os colegas mais experientes se comunicam e, quando necessário, buscar feedback de superiores. Afinal, em um mercado cada vez mais competitivo, até o jeito de falar pode ser um diferencial — ou um obstáculo.