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Uruguai mira nicho premium com carne Angus de alta qualidade

País sul-americano tem potencial para abastecer mercados globais exigentes com carne bovina premium 2024 Uruguai

📝 Redação CCN15 de junho de 2026 às 13:34👁 1 leituras
Uruguai mira nicho premium com carne Angus de alta qualidade

O Uruguai está se posicionando como um dos principais fornecedores mundiais de carne Angus de alta qualidade, aproveitando condições naturais e técnicas que poucos países conseguem igualar. Com pastagens naturais extensas e um clima favorável durante todo o ano, o país sul-americano tem tudo para conquistar paladares dos mercados mais seletivos, como Estados Unidos, Europa e Ásia. A estratégia não é nova, mas ganha força agora com investimentos em genética e manejo que prometem elevar ainda mais o padrão do produto uruguaio.

O segredo está na combinação de fatores que o Uruguai domina há décadas. As pastagens nativas, ricas em nutrientes, formam a base da alimentação do gado, enquanto o sistema de criação a pasto — sem confinamento excessivo — garante uma carne com características únicas. Além disso, a raça Angus, conhecida por sua maciez e marmoreio, encontra no Uruguai um ambiente perfeito para se desenvolver. Produtores locais já exportam para mais de 100 países, mas agora miram um público ainda mais exigente: os consumidores dispostos a pagar mais por qualidade certificada.

Para os brasileiros que acompanham o mercado de carnes, o movimento uruguaio não passa despercebido. Enquanto o Brasil lidera em volume de exportação, o Uruguai aposta em um nicho de alto valor agregado, onde a rastreabilidade e o bem-estar animal são diferenciais. Em 2023, o país exportou cerca de 400 mil toneladas de carne bovina, mas o foco agora é aumentar a participação de cortes premium, como o filé mignon e a picanha, em mercados como China e União Europeia. A estratégia inclui certificações internacionais e parcerias com frigoríficos que já atendem aos padrões mais rigorosos.

O Uruguai não é o único a buscar esse caminho. Países como Argentina e Austrália também investem em carne de qualidade, mas o modelo uruguaio se destaca pela integração entre campo e indústria. A Associação Uruguaia de Criadores de Angus (ACU) informou que a raça representa cerca de 60% do rebanho nacional, com mais de 1,5 milhão de cabeças registradas. A genética Angus, aliada ao sistema extensivo de produção, resulta em animais com menor teor de gordura e maior suculência, atributos cada vez mais valorizados pelos consumidores globais.

Para o Tocantins, onde a pecuária é uma das principais atividades econômicas, o exemplo uruguaio pode servir de inspiração. O estado já é um dos maiores produtores de carne do Brasil, mas enfrenta desafios como a sazonalidade das pastagens e a necessidade de agregar valor aos produtos. Enquanto o Uruguai explora o mercado premium, o Tocantins poderia investir em certificações e diferenciais como raças adaptadas, como a Nelore, ou sistemas de produção sustentável para conquistar novos mercados. A lição é clara: qualidade e rastreabilidade abrem portas onde volume sozinho não chega.

Os próximos passos do Uruguai incluem a expansão de frigoríficos com certificação Halal e Kosher, essenciais para acessar mercados do Oriente Médio e Israel. Além disso, a indústria local trabalha para reduzir ainda mais os custos logísticos, que ainda são um entrave para a competitividade frente a gigantes como Brasil e Austrália. Com um rebanho de 12 milhões de cabeças e uma tradição de mais de um século na pecuária, o país tem condições de se tornar referência global em carne Angus — desde que mantenha o foco naquilo que já faz bem: produzir com qualidade, sem pressa.

O desafio agora é convencer os consumidores de que o preço mais alto da carne uruguaia vale a pena. Em um mercado onde a transparência é cada vez mais exigida, o país sul-americano aposta em selos de origem e rastreabilidade total, desde a fazenda até o prato. Se der certo, o Uruguai não só aumentará suas exportações, como também redefinirá os padrões da carne premium no mundo.