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BR-319 ameaça abrir ferida irreversível na Amazônia, alerta estudo

Mapa revela como rodovia ampliará ocupação predatória na região com maior biodiversidade da floresta

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 15:22👁 1 leituras
BR-319 ameaça abrir ferida irreversível na Amazônia, alerta estudo

A abertura da BR-319 criará uma nova frente de ocupação que pressiona justamente a área com a maior concentração de biodiversidade da Amazônia. O alerta vem de um estudo que mapeia as consequências dessa rodovia — e as implicações chegam até Palmas e ao Tocantins, estados que já enfrentam pressões por expansão agrícola e desmatamento.

A rodovia BR-319 conecta Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia. Embora o projeto não seja novo, ganhou tração política nos últimos anos com promessas de desenvolvimento econômico e integração regional. O problema é que essa integração vem acompanhada de um modelo predatório: onde as estradas federais chegam na Amazônia, o desmatamento segue.

O estudo mencionado utiliza dados geográficos e históricos para demonstrar um padrão conhecido entre pesquisadores: rodovias na floresta tropical funcionam como artérias de ocupação desordenada. Não é apenas a estrada que causa dano. É tudo o que ela traz — grileiros, madeireiras, fazendeiros, garimpeiros. A rodovia remove a barreira do isolamento que, até então, protegia essas terras.

Por que isso importa para quem vive em Palmas? Porque o modelo que consome a Amazônia no Amazonas e em Rondônia é o mesmo que já avançou sobre o Tocantins. Este estado perdeu boa parte de sua cobertura vegetal original justamente por essa dinâmica: infraestrutura viária precede e facilita o desmatamento. Quando a BR-319 abrir totalmente, ela duplicará uma rota de pressão econômica sobre biomas que já estão sob cerco.

Os envolvidos nesse processo incluem governo federal — que promove a obra —, empreendedores privados interessados em expandir negócios, e populações indígenas e tradicionais que vivem nessas áreas. Esses últimos serão os mais afetados: terras invadidas, recursos naturais explorados, modo de vida desaparecendo.

O histórico é longo. Brasil afora, projetos de infraestrutura na Amazônia frequentemente ignoram impactos ambientais e sociais. A BR-319 não seria exceção. O que torna este caso particular é sua localização estratégica: a rodovia cortará justamente regiões onde a floresta ainda guarda alta integridade ecológica. Uma vez perdida, não recupera.

As consequências imediatas começam assim que a obra avança: fragmentação de habitats, facilitação do acesso ilegal a recursos, pressão sobre terras indígenas demarcadas. Em médio prazo, o desmatamento acelera exponencialmente. Estudos sobre outras rodovias amazônicas mostram padrões claros: cinco anos após a pavimentação, o desmatamento na região dobra ou triplica.

Mas há efeitos ainda maiores. A destruição de floresta na Amazônia altera padrões de chuva em todo o país — incluindo aqui no Tocantins. Menos floresta significa menos umidade transportada pelos ventos, o que reduz precipitação. Para um estado que depende de hidroelétricas e agricultura, isso é uma ameaça concreta. A BR-319, portanto, não é um problema distante: é um problema que chega aqui através dos ciclos climáticos e da competição por recursos naturais.

O debate sobre a rodovia continua em disputa. Ambientalistas e pesquisadores apontam a impossibilidade de conciliar a obra com preservação. Defensores argumentam desenvolvimento econômico. O que o mapa do estudo mostra, porém, é que essa ferida — se aberta — não cicatriza. A Amazônia não se reconstrói em escala de tempo humana.

Para o leitor em Palmas, a questão é simples: o que acontece na Amazônia afeta diretamente a vida aqui. Clima, recursos hídricos, oportunidades econômicas — tudo está conectado. A BR-319 representa um modelo de desenvolvimento que lucra no curto prazo e cobra o preço no longo prazo. E esse preço todos pagam.