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UFT outorga título de Doutora Honoris Causa a Dona Romana Pereira

Universidade Federal reconhece guardiã viva da cultura tradicional tocantinense em cerimônia marcada para maio de 2026

📝 Redação CCN28 de maio de 2026 às 11:44👁 6 leituras
UFT outorga título de Doutora Honoris Causa a Dona Romana Pereira

A Universidade Federal do Tocantins vai reconhecer oficialmente uma das figuras mais importantes da preservação cultural do estado. No dia 29 de maio de 2026, a UFT realizará a cerimônia de outorga do título de Doutora Honoris Causa à Dona Romana Pereira da Silva, homenagem que celebra décadas dedicadas aos saberes tradicionais e manifestações culturais tocantinenses.

Para quem vive aqui no Tocantins, esse nome carrega peso. Dona Romana não é apenas uma referência acadêmica — é a mulher que guardou viva a memória cultural do estado enquanto muita coisa se perdia. Conhecimentos passados de geração em geração, práticas e técnicas que formam a identidade do povo tocantinense, tudo isso encontra em Dona Romana uma guardiã comprometida.

A aprovação do título pelos órgãos colegiados superiores da UFT não é formalidade acadêmica vazia. É um ato político e cultural que diz respeito a quem somos como sociedade. A decisão reflete o compromisso da instituição em valorizar quem realmente faz diferença na preservação do patrimônio imaterial do Tocantins — aquele que não está em museus, mas nas mãos, na voz e na memória de pessoas como Dona Romana.

O reconhecimento chega num momento em que as universidades federais no Brasil enfrentam pressões para se aproximar mais das comunidades e da cultura local. A UFT, presente em cidades como Palmas, Araguaína e Porto Nacional, tem papel estratégico nessa conversa. Quando a instituição escolhe homenagear alguém como Dona Romana, sinaliza que a produção de conhecimento passa também por respeitar e documentar o saber que vem de fora das salas de aula.

Quem convive com a realidade tocantinense sabe o quanto a cultura popular enfrenta ameaças. Mudanças nas formas de trabalho e vida, êxodo rural, desinteresse das gerações mais jovens — tudo isso coloca em risco práticas e conhecimentos que levaram décadas para se consolidar. Dona Romana se destacou justamente por resistir a esse apagamento, mantendo vivas expressões culturais que fazem parte da história do Tocantins.

O título de Doutora Honoris Causa é reconhecimento máximo que uma universidade pode conceder fora da formação convencional. Significa que a UFT entende Dona Romana como produtora de conhecimento legítimo, merecedora de estar ao lado de mestres acadêmicos. Para uma mulher cujo conhecimento nasceu fora das universidades, é validação importante — e mais importante ainda: é visibilidade para o saber que ela representa.

A cerimônia de maio de 2026 será momento para o estado refletir sobre o que valoriza. Será uma ocasião para tocantinenses de diferentes gerações entenderem que preservação cultural não é coisa do passado, nem luxo intelectual. É investimento no que nos define como povo, na continuidade de uma história que não pode ser apagada.

Os desdobramentos esperados vão além da cerimônia. Uma homenagem desse calibre tende a abrir portas para que outras iniciativas de preservação cultural ganhem força na universidade. Pode inspirar projetos de documentação, pesquisa e extensão que levem para salas de aula e laboratórios o conhecimento que está nas comunidades. E torna Dona Romana referência oficial para futuras gerações de estudantes tocantinenses que precisam entender de onde viemos antes de decidir para onde vamos.