Uefa questiona plano de Infantino na Fifa e estuda ação judicial
Entidade europeia acusa presidente da Fifa de má gestão ao propor venda de direitos comerciais da Copa do Mundo; caso pode ir à Justiça suíça 15/05/2024

A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou que estuda tomar medidas judiciais contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, após o dirigente propor a venda de participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo para uma empresa com investidores privados. A entidade classificou a iniciativa como uma possível "má gestão criminosa" e sinalizou que o caso pode ser levado à Justiça suíça.
A proposta de Infantino, revelada em documento interno da Fifa, envolve transferir ativos comerciais — como patrocínios e direitos de transmissão — para uma sociedade com participação de investidores externos. A Uefa argumenta que a operação fere princípios de transparência e governança, além de colocar em risco a integridade financeira do torneio. Segundo fontes próximas ao processo, a entidade já teria consultado assessores jurídicos sobre os próximos passos, que incluem desde uma denúncia formal até a busca por liminares para bloquear a transação.
O plano de Infantino não é recente. Documentos obtidos pela imprensa internacional mostram que a ideia circula na cúpula da Fifa há pelo menos um ano, mas ganhou força após a entidade enfrentar pressões por reformas estruturais. A proposta, no entanto, esbarra em resistências internas e externas. Críticos apontam que a venda de direitos comerciais — que tradicionalmente financiam a organização do evento — poderia reduzir a autonomia da Fifa e aumentar a influência de grupos privados sobre o futebol global. A Uefa, que representa 55 federações europeias, já havia manifestado desconforto com a gestão de Infantino em outras ocasiões, especialmente após mudanças nos calendários de competições.
A Fifa, por sua vez, defende a medida como uma forma de modernizar a gestão financeira do esporte. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que as negociações estão em fase inicial e que qualquer decisão será tomada após ampla discussão com as 211 federações-membro. No entanto, a Uefa não se convenceu. "Não se trata apenas de dinheiro, mas de quem controla o futuro do futebol", declarou um dirigente europeu sob condição de anonimato. A entidade também questionou a legalidade da operação, alegando que a Fifa estaria violando seus próprios estatutos ao transferir ativos sem aprovação unânime das federações.
Se a Justiça suíça for acionada, o caso pode se arrastar por meses ou anos, com desdobramentos imprevisíveis. A Fifa, sediada na Suíça, estaria sujeita a investigações por parte das autoridades locais, que já haviam aberto inquéritos sobre outras práticas da entidade nos últimos anos. A Uefa, por sua vez, poderia usar a ação judicial como alavanca para forçar mudanças na governança da Fifa, incluindo a redução do poder do presidente.
O impasse coloca em xeque não só a gestão de Infantino, mas também a estabilidade do futebol mundial. Federações menores, que dependem dos recursos da Fifa para sobreviver, temem que a venda de direitos comerciais reduza os repasses financeiros. Enquanto isso, clubes e jogadores aguardam o desfecho, cientes de que qualquer decisão pode alterar o modelo econômico do esporte.
A próxima reunião do Conselho da Fifa está marcada para julho, quando o tema deve ser discutido novamente. Até lá, a pressão sobre Infantino deve aumentar, com a Uefa já sinalizando que não recuará. "Não vamos permitir que interesses privados ditem as regras do futebol", afirmou um membro do comitê executivo europeu. A batalha jurídica, se ocorrer, promete ser longa e acirrada.
Enquanto isso, torcedores e patrocinadores acompanham o caso com apreensão. Afinal, o que está em jogo não é apenas dinheiro, mas a identidade de um esporte que une milhões de pessoas ao redor do mundo.