Europa nega prazo extra para adequação de antimicrobianos em carne bovina
União Europeia rejeita pedido do Brasil de transição para alinhamento de regras sanitárias no rebanho bovino.

Bruxelas respondeu com um não categórico. O Brasil bateu na porta da União Europeia solicitando um período de transição para que produtores de carne bovina se adequassem às novas restrições sobre o uso de antimicrobianos. A resposta veio fria. Os europeus fecharam as comportas para negociações nesse tema e deixaram o setor pecuário nacional diante de um desafio bem concreto: se adaptar sem mais tempo.
No Tocantins, essa decisão ganha peso diferente. O estado respira pecuária. São milhões de cabeças de gado espalhadas pelas propriedades, frigoríficos que movem a economia local e famílias inteiras que dependem dessa cadeia de produção. Quando Bruxelas aperta as exigências, o impacto sai do papel e chega às porteiras das fazendas em Araguaína, Gurupi e Palmas. Os criadores tocantinenses exportam para o mercado europeu e agora precisam lidar com regras cada vez mais rigorosas sem o colchão de tempo que pediram.
O bife sobre a mesa é o uso indiscriminado de antimicrobianos. Esses medicamentos, quando usados de forma inadequada no rebanho, deixam um rastro perigoso: criam bactérias resistentes que não respondem aos tratamentos convencionais. É um problema de saúde pública planetária. Os órgãos sanitários globais não brincam com isso. A União Europeia, conhecida por suas exigências sanitárias rígidas, resolveu apertar ainda mais o cerco e não aceita transições. Ou o setor se encaixa nas novas regras, ou perde espaço no mercado europeu.
O setor pecuário brasileiro pressionava por um período intermediário. Pedia mais tempo para que frigoríficos revisassem seus protocolos, produtores ajustassem suas práticas de criação e fornecedores encontrassem alternativas aos antimicrobianos. Mas a União Europeia não vê margem para negociação em questões que envolvem segurança alimentar e saúde coletiva. A decisão coloca a indústria contra a parede.
Para produtores tocantinenses e suas cooperativas, o recado está dado. Não há mais tempo de espera. A adaptação precisa começar agora, mesmo que a estrutura produtiva ainda não esteja pronta. As exportações para o mercado europeu, um dos mais valiosos para o agronegócio local, correm risco. A rejeição europeia ao pedido de transição coloca em xeque a competitividade da pecuária tocantinense num dos maiores mercados do mundo.