Uber reduz departamento de RH em 23% com nova liderança
A gigante de mobilidade corta posições seniores após chegada de presidente, afetando menos de 1% do quadro global de 34 mil colaboradores

A Uber anunciou uma redução de 23% em sua divisão de Recursos Humanos. O corte acontece logo após a chegada de uma nova presidente no departamento e atinge principalmente cargos de liderança.
Embora o número pareça expressivo, a redução representa menos de 1% do quadro total de 34 mil funcionários que a empresa mantém globalmente. Ainda assim, o movimento sinaliza uma mudança de direção na estratégia de gestão de pessoas da companhia.
A reestruturação do RH da Uber se insere em um contexto maior de transformações na empresa. Desde 2022, a gigante de mobilidade e entregas passou por diversas revisões orçamentárias e cortes de pessoal. O objetivo declarado era melhorar a eficiência operacional e reduzir custos.
Nova liderança, novo rumo. A chegada da nova presidente do departamento parece marcar uma ruptura com a gestão anterior. Reestruturações de RH costumam refletir mudanças nas prioridades e na forma como a empresa planeja lidar com seus recursos humanos nos próximos anos. Cargos seniores, como gerentes e diretores, foram os mais afetados pelo corte.
Essa estratégia não é exclusiva da Uber. Outras gigantes de tecnologia também reviram seus departamentos de RH nos últimos tempos, buscando enxugar estruturas que cresceram durante a expansão acelerada da pandemia. A ideia subjacente é que máquinas e processos automatizados possam fazer parte do trabalho que antes demandava mais pessoas.
No Brasil, onde a Uber é um dos maiores empregadores do setor de tecnologia, esses movimentos globais costumam ter desdobramentos locais. Ainda que a informação não especifique cortes na operação brasileira, mudanças na matriz norte-americana tendem a reverberar nas subsidiárias.
Os funcionários atingidos pelo corte enfrentam agora a tarefa de se reposicionar no mercado de trabalho. Mesmo em um setor como o de tecnologia, onde demanda por profissionais é alta, a transição nunca é simples. Programas de desligamento, planos de recolocação e referências costumam fazer parte dos pacotes oferecidos em casos assim.
Para a Uber, o movimento representa uma aposta em fazer mais com menos pessoas. A automação de processos de RH — como onboarding, folha de pagamento e gestão de benefícios — tem avançado significativamente. A questão que fica é se reduzir a equipe de recursos humanos em momento de turbulência no mercado de trabalho global é a melhor estratégia.
Historicamente, momentos de incerteza econômica tendem a aumentar demandas sobre o RH: conflitos trabalhistas, retenção de talentos, comunicação de crise. Reduzir justamente esse departamento pode soar contraditório. Mas a lógica corporativa aponta para a necessidade de demonstrar lucratibilidade em setores que ainda buscam atingir margens positivas consistentes.
Os impactos práticos virão com o tempo. Funcionários da Uber em todo o mundo podem enfrentar processos de RH mais lentos, menos personalizados ou mediados por sistemas automáticos. A qualidade do clima organizacional também pode ser afetada — departamentos de RH reduzidos costumam ter menos tempo para iniciativas de bem-estar e engajamento.
Para o mercado de tecnologia brasileiro, o movimento é um sinal de que as empresas gigantes estão em modo de otimização. Não há expansão desenfreada à vista. O que vem agora é fazer as operações funcionarem com estruturas enxutas e, idealmente, mais eficientes.
A Uber não explicou publicamente os motivos específicos para o corte ou como planeja reestruturar o departamento. Essas informações costumam vir apenas aos funcionários internamente, após o anúncio. O silêncio público é estratégia comum em empresas de grande porte quando lidam com redução de pessoal.