TSE libera tropas federais para eleições no Tocantins e mais quatro estados
Justiça Eleitoral autoriza reforço de segurança em 179 cidades tocantinenses para o pleito de outubro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou na noite desta terça-feira a liberação de tropas federais para reforçar a segurança durante as eleições municipais em 179 municípios do Tocantins. A decisão abrange ainda outros quatro estados — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia — e faz parte do planejamento da Justiça Eleitoral para garantir a tranquilidade do processo eleitoral marcado para outubro.
A medida foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico e determina que as Forças Armadas e a Polícia Federal atuem em conjunto com as polícias estaduais para coibir irregularidades como boca de urna, transporte irregular de eleitores e possíveis conflitos. Segundo o TSE, a ação busca evitar episódios como os registrados em eleições anteriores, quando denúncias de coação e uso indevido de recursos públicos foram frequentes em várias regiões do país.
Para o Tocantins, a decisão chega em um momento crítico. O estado, que já enfrentou problemas de segurança em pleitos anteriores, viu crescer nos últimos meses a preocupação com a integridade do processo eleitoral. Em 2020, por exemplo, a Justiça Eleitoral do Tocantins registrou 15 ocorrências de irregularidades graves em municípios como Gurupi, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins. Desta vez, a presença das tropas federais deve inibir práticas como a compra de votos e a utilização de veículos públicos para transporte de eleitores, crimes comuns em cidades menores e com menor fiscalização.
A autorização do TSE prevê a atuação das tropas em todas as 179 cidades tocantinenses, incluindo as maiores como Palmas, Araguaína e Gurupi. Nas áreas rurais, onde o acesso é mais difícil, a presença das Forças Armadas será ainda mais necessária para garantir que não haja interferência indevida no voto. O comando das operações ficará a cargo da Justiça Eleitoral local, que poderá acionar as tropas sempre que identificar indícios de irregularidades.
O secretário de Segurança Pública do Tocantins, coronel Fábio Rodrigues, afirmou que a parceria com as forças federais é fundamental para assegurar eleições livres e justas. "A segurança é um pilar essencial para a democracia. Com a atuação conjunta, conseguiremos coibir práticas que atentam contra a lisura do processo eleitoral", declarou. Segundo ele, a Polícia Militar do Tocantins já está em alerta máximo desde o início do ano, com reforço de efetivo em municípios considerados críticos.
A decisão do TSE também prevê a utilização de drones e sistemas de monitoramento em pontos estratégicos, como seções eleitorais e locais de grande concentração de eleitores. Em Palmas, por exemplo, a Justiça Eleitoral já mapeou áreas como o setor Bueno, o Centro e bairros periféricos como o Jardim Aureny, onde a fiscalização será intensificada. Nas cidades do interior, como Miracema do Tocantins e Dianópolis, a presença das tropas federais será ainda mais visível, dada a menor estrutura local de segurança.
Para os eleitores tocantinenses, a medida representa mais tranquilidade na hora de votar. Em 2020, muitos cidadãos relataram medo de sofrer pressão de candidatos ou de serem coagidos a votar em determinada opção. Com a presença das tropas federais, a expectativa é de que esses casos diminuam significativamente. "As pessoas precisam votar com liberdade, sem medo de represálias", afirmou um servidor da Justiça Eleitoral, que preferiu não se identificar.
A Justiça Eleitoral do Tocantins já iniciou os preparativos para a operação, com reuniões semanais entre o TRE-TO, a Polícia Federal e as prefeituras. O objetivo é mapear os pontos de maior risco e definir estratégias para cada município. Em Araguaína, por exemplo, a prefeitura já anunciou a instalação de câmeras de vigilância em todas as seções eleitorais, enquanto em Gurupi, a Polícia Militar reforçou o policiamento nas ruas nos dias que antecedem o pleito.
A autorização do TSE para o uso das tropas federais tem validade até 30 dias após o segundo turno das eleições, caso haja necessidade. No Tocantins, onde a maioria dos municípios não tem segundo turno, a expectativa é de que a presença das forças de segurança seja suficiente para garantir a normalidade do processo. "Estamos confiantes de que, com essa parceria, as eleições transcorrerão sem incidentes graves", afirmou um membro do TRE-TO.
Ainda assim, a sociedade civil organizada segue atenta. O movimento "Tocantins pela Democracia" já anunciou que irá monitorar as eleições em tempo real, denunciando qualquer irregularidade. "Não podemos baixar a guarda. A democracia precisa ser protegida a todo momento", declarou uma das coordenadoras do movimento.
Enquanto o pleito não chega, a Justiça Eleitoral e as forças de segurança trabalham para que o Tocantins tenha eleições tranquilas. A população, por sua vez, deve ficar atenta e denunciar qualquer irregularidade aos órgãos competentes. Afinal, o voto é a ferramenta mais poderosa para mudar a realidade local.