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Justiça condena dois por morte de policial em Gurupi

Julgamento popular em Gurupi resultou em condenação por homicídio ocorrido em casa noturna

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:06👁 8 leituras
Justiça condena dois por morte de policial em Gurupi

O Tribunal do Júri de Gurupi encerrou ontem um julgamento histórico ao condenar dois homens pelo assassinato de um policial civil dentro de uma casa noturna da cidade. O crime, que chocou a população local no ano passado, teve como vítima o policial civil José Maria Silva, de 38 anos, morto a tiros durante uma briga que se espalhou pelo estabelecimento. Além dos dois condenados, um terceiro homem, também réu no processo, foi absolvido pelo júri popular.

O julgamento, que durou três dias, reuniu dezenas de moradores de Gurupi e região, muitos deles familiares das vítimas e testemunhas do crime. Os dois condenados, identificados como Marcos Antônio Pereira, 32 anos, e Carlos Eduardo Oliveira, 29, foram acusados de participação no homicídio qualificado, com uso de arma de fogo. Segundo a denúncia do Ministério Público do Tocantins, os dois teriam atirado contra o policial durante a confusão na casa noturna *Boate Lua de Mel*, localizada no centro de Gurupi. O terceiro réu, João Paulo Fernandes, 35, foi absolvido por falta de provas.

O caso ganhou repercussão não só em Gurupi, mas em todo o sul do Tocantins, onde a segurança pública é um tema recorrente entre moradores e autoridades. A Polícia Civil do estado já havia investigado o crime e indiciado os três homens, mas coube ao Tribunal do Júri decidir o destino dos acusados. O delegado responsável pelo inquérito, Thiago Rodrigues, afirmou que as provas periciais e as testemunhas foram fundamentais para elucidar os fatos. "As imagens das câmeras de segurança e os depoimentos foram decisivos para apontar os responsáveis", declarou Rodrigues.

A condenação dos dois homens chega em um momento em que a população de Gurupi e cidades vizinhas cobra mais rigor contra a violência, especialmente em ambientes noturnos. A casa noturna *Boate Lua de Mel* já havia sido alvo de fiscalizações anteriores por venda de bebidas alcoólicas a menores e funcionamento irregular, mas o crime de 2023 foi o que mais chamou a atenção da mídia local. O prefeito de Gurupi, Josias Gomes, disse que a administração municipal tem reforçado a fiscalização em estabelecimentos noturnos, mas admitiu que o problema da segurança pública vai além das ações municipais. "É um desafio que envolve várias esferas, mas estamos trabalhando para garantir que casos como esse não se repitam", afirmou Gomes.

Para a família do policial assassinado, a condenação trouxe alívio, mas também lembranças dolorosas. A irmã da vítima, Maria Silva, 36, participou do julgamento e disse que a justiça tardou, mas chegou. "Meu irmão era um homem de bem, que só queria proteger as pessoas. Ver os responsáveis pagando pelo que fizeram é um alívio, mas a saudade continua", desabafou. O policial deixou esposa e dois filhos, que agora precisam lidar com a ausência do pai.

O Ministério Público do Tocantins, representado pela promotora Ana Carolina Lima, destacou que o caso reforça a importância da atuação conjunta entre polícia, justiça e sociedade. "Crimes como esse não podem ficar impunes. A condenação envia uma mensagem clara de que a justiça será feita", afirmou Lima. A promotora também lembrou que o quarto acusado, um policial militar, ainda responde a processo em outra instância, pois seu caso foi desmembrado por questões processuais.

Agora, os dois condenados aguardam a definição da pena, que deve ser anunciada em até 30 dias. A defesa dos réus já anunciou que recorrerá da decisão, o que pode prolongar o processo. Enquanto isso, a Polícia Civil do Tocantins segue investigando outros casos semelhantes, buscando evitar que a violência se repita em Gurupi ou em qualquer outra cidade do estado.

A população local, por sua vez, continua atenta. Em Gurupi, como em muitas cidades do Tocantins, a segurança é um tema que afeta o dia a dia, seja na hora de sair à noite, seja na confiança em relação às autoridades. O caso do policial assassinado na *Boate Lua de Mel* serve como um lembrete de que, mesmo em uma cidade do tamanho de Gurupi, a justiça precisa ser ágil e eficiente para garantir a tranquilidade de todos.