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Frete rodoviário perde 10,5% para alta do diesel em seis meses

Pesquisa da Forbes Brasil mostra defasagem nos valores praticados em meio ao aumento de 17,63% no combustível nos primeiros meses de 2024

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 13:54👁 10 leituras
Frete rodoviário perde 10,5% para alta do diesel em seis meses

O transporte de cargas pelo país amarga um rombo de 10,5% nos fretes rodoviários desde janeiro. A disparada de 17,63% no preço do diesel no primeiro semestre do ano — impulsionada pela tensão geopolítica no Oriente Médio — jogou os custos das transportadoras para cima, mas os valores cobrados pelos serviços não acompanharam a alta. A constatação é da mais recente análise da Forbes Brasil, que cruzou dados de mercado e projeções de especialistas do setor.

O problema não é novo, mas ganhou contornos mais graves em 2024. Desde janeiro, o diesel acumula reajustes sucessivos, reflexo direto da instabilidade na região do Golfo Pérsico, onde conflitos recentes elevaram os preços internacionais do combustível. Com a gasolina e o etanol também pressionados, as transportadoras viram seus custos operacionais explodirem. No entanto, os fretes — que deveriam ser reajustados automaticamente para cobrir essas despesas — ficaram para trás. Em junho, a defasagem já atingia dois dígitos, segundo a pesquisa.

Para os donos de caminhões e empresas de logística, a situação é insustentável. Quem depende do frete para sobreviver viu a margem de lucro minguar, enquanto os preços dos produtos transportados — especialmente alimentos e insumos — já refletem essa pressão. Pequenos transportadores, que não têm poder de barganha para repassar os custos, são os mais atingidos. A falta de reajuste adequado força muitos a reduzirem viagens ou até mesmo a paralisarem atividades temporariamente, agravando gargalos logísticos que já afetam cadeias produtivas em todo o país.

Os números da Forbes Brasil deixam claro o tamanho do descompasso. Em janeiro, o diesel custava R$ 4,20 por litro nas refinarias; em junho, já beirava R$ 4,95. No mesmo período, os fretes para cargas comuns subiram apenas 7%, enquanto os de longa distância mal chegaram a 5%. A diferença de 10,5% entre o que as transportadoras gastam e o que recebem é o que os especialistas chamam de "defasagem operacional" — um rombo que, se não for corrigido, pode levar ao fechamento de empresas e à redução da frota disponível.

A guerra no Irã, embora distante, tem peso decisivo nesse cenário. O país é um dos maiores produtores de petróleo do Oriente Médio, e qualquer instabilidade na região afeta os preços globais. Com a oferta reduzida e a demanda estável — ou até crescente —, os valores do combustível não param de subir. As transportadoras, por sua vez, não conseguem repassar integralmente esses custos aos clientes, seja por concorrência acirrada ou por contratos já firmados com valores fixos.

O setor já cobra medidas urgentes. Entre as reivindicações estão a revisão imediata dos fretes mínimos praticados no mercado, a criação de políticas públicas que isolem o transporte de cargas dos choques externos nos preços de combustíveis e até mesmo a adoção de subsídios temporários para aliviar a pressão sobre os caminhoneiros. Enquanto isso, a Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC&Logística) estuda protocolos para pressionar o governo federal por ajustes tarifários que reflitam a realidade dos custos.

A expectativa é de que o problema se agrave nos próximos meses, caso não haja uma intervenção. Com o diesel ainda volátil e a safra agrícola em andamento — período de maior demanda por fretes —, o risco de colapso em algumas rotas é real. Transportadoras de médio e pequeno porte já começam a avaliar cortes de pessoal ou até mesmo a venda de caminhões para honrar dívidas. A situação pede ação rápida, antes que o prejuízo se torne irreversível para quem mantém o país conectado.