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Transição energética precisa de três pilares para funcionar de verdade

Especialistas apontam eletrificação, armazenamento e transmissão como base para a nova economia da energia

📝 Redação CCN02 de junho de 2026 às 10:29👁 1 leituras
Transição energética precisa de três pilares para funcionar de verdade

A transição energética que o Brasil (e o mundo) discute há anos pode finalmente sair do papel. Mas não será com slogans. Elbia Gannoum e Otaviano Canuto, pesquisadores que dominam o tema, colocaram o dedo na ferida em análise publicada na CNN Infra: a mudança para uma economia de energia limpa só funciona se três coisas acontecerem de uma vez.

Primeiro, eletrificação de processos. Segundo, armazenamento de energia. Terceiro, linhas de transmissão robustas. Simples assim. Nada revolucionário no discurso, mas a execução? Essa é outra história.

Vamos entender por quê essa tríade importa tanto. A eletrificação significa sair da dependência de combustíveis fósseis — carvão, petróleo, gás — e correr atrás de eletricidade como fonte de energia. Carros elétricos em vez de motores a combustão. Aquecimento e resfriamento movidos a bomba de calor, não a queimadores. Máquinas industriais plugadas em tomadas inteligentes. Tudo bem, mas isso só funciona se você tiver eletricidade limpa para oferecer. E sobretudo, se conseguir guardar essa energia para quando o sol não brilha e o vento não sopra.

O armazenamento é o nó. Baterias sofisticadas, hidroeletricidade bombeada, até combustíveis sintéticos — as soluções existem, mas escalam lentamente e custam caro. O Tocantins, por exemplo, se beneficia de sua matriz energética renovável, mas mesmo aqui, quando você pensa em indústria pesada ou transporte de longa distância, a pergunta fica incômoda: onde a energia fica guardada quando não estou usando?

E depois vem o terceiro pé da tríade: as linhas de transmissão. Isso é concreto, ferragem, postes, cabos. É a obra civil que ninguém quer pagar. A energia solar ou eólica gerada no interior precisa chegar até as cidades. Precisa cruzar estados. Uma pequena mudança no planejamento energético anterior pode virar um gargalo descomunal se a infraestrutura não acompanhar.

O grande problema é que esses três componentes não trabalham sozinhos. Você não consegue eletrificar tudo se não tem como guardar energia. Não consegue guardar energia de forma viável se não tem transmissão que a leve para onde precisa. E não consegue fazer transmissão eficiente sem saber exatamente qual energia vai trafegar lá dentro. É um quebra-cabeça onde todas as peças precisam se encaixar ao mesmo tempo.

Brasil e mundo percebem isso agora com mais urgência. Commitments climáticos apertam prazos. Empresas privadas querem investir em energias limpas porque sabem que é aí que vai estar o dinheiro daqui a dez anos. Governos prometem metas cada vez mais agressivas de descarbonização. Mas no dia a dia da execução, esbarram em regulação lenta, falta de investimento público em transmissão, e custos que flutuam conforme a tecnologia evolui.

O que Gannoum e Canuto estão dizendo é: parem de discursar e façam as três coisas juntas. Não dá para esperar. Não dá para escolher apenas uma ou duas. Essa é a realidade que vai determinar se a transição energética é mais um palavreado de conferência climática ou um movimento de verdade que muda como geramos, armazenamos e usamos energia.

Para o Tocantins, estado com potencial hídrico e eólico considerável, isso significa pressionar por investimentos em armazenamento local e em linhas que conectem produção à demanda estadual e nacional. Sem os três pilares funcionando, fica só no discurso bonito que não gera energia limpa nem emprego.