Banco do Brasil vê suporte às cotações no fim do ano
Banco do Brasil projeta alta da demanda, exportações firmes e custos previsíveis para o setor de proteína animal no último trimestre

As perspectivas do Banco do Brasil para o setor de proteína animal no último trimestre de 2026 indicam um ambiente de maior firmeza para os preços, com demanda interna aquecida, exportações sustentadas e custos de produção mais previsíveis. A avaliação foi divulgada nesta terça-feira, 8, em São Paulo, no Boletim Agro de Setembro da instituição.
No recorte da bovinocultura de corte, o banco vê uma desaceleração nos abates de vacas como fator que tende a apertar a oferta de animais prontos para o abate. Na prática, esse movimento costuma abrir espaço para cotações mais fortes da arroba do boi gordo e também para valorização do gado de reposição. O mercado externo aparece como o principal sustentáculo dessa leitura, especialmente pela manutenção do apetite comprador por carne bovina.
A instituição também aponta que a demanda de grandes importadores segue relevante e que novos mercados vêm se consolidando, mantendo o volume exportado em patamar elevado. Entre os pontos observados pelo BB está a expectativa de retomada mais intensa dos embarques pela China, com uso da cota de 2027. O banco informou que a produção destinada ao mercado chinês deve ser retomada em outubro, enquanto os embarques devem começar a partir de meados de novembro.
Esse quadro ajuda a sustentar os preços pagos ao produtor ao mesmo tempo em que reduz a pressão da oferta no mercado interno. Para quem atua na cadeia da carne, o sinal é de um segundo semestre mais ajustado entre oferta e demanda, com reflexos diretos na formação das cotações. A estabilidade dos preços do milho e do farelo de soja também entra na conta, já que influencia a relação de troca na compra de insumos e, por consequência, a margem de produção.
O Banco do Brasil avalia ainda que a suinocultura deve manter o volume de vendas externas, favorecida pela diversificação dos destinos de exportação do País. Isso reforça a leitura de um fim de ano com suporte vindo tanto do comércio internacional quanto do comportamento da demanda doméstica, em um momento em que o setor acompanha de perto o ritmo dos embarques e a evolução dos custos.
Nos próximos meses, a atenção deve ficar sobre a velocidade da retomada chinesa, o desempenho dos embarques de carne bovina e a reação do mercado às condições de oferta. Esses fatores devem ajudar a definir até onde as cotações conseguem avançar no encerramento do ano.