Técnico de som é morto a tiro durante exposição agropecuária em Miranorte
Geovane da Silva Lima, 38, foi assassinado na madrugada de domingo enquanto trabalhava em evento que atrai famílias de toda região.

Geovane da Silva Lima, 38 anos, foi morto a tiro na madrugada do último domingo enquanto trabalhava na Exposição Agropecuária de Miranorte. O técnico de sonorização levou um disparo na nuca por volta de 1h30 da manhã, no Parque de Exposições Agropecuárias da cidade. A Polícia Civil abriu investigação para identificar o responsável pelo crime.
O assassinato ocorreu a apenas 60 quilômetros de Palmas, em um dos eventos mais importantes do calendário social e econômico do Tocantins. A Exposição Agropecuária de Miranorte não é um encontro qualquer — reúne produtores rurais, expositores, visitantes e famílias inteiras que veem no evento oportunidade de negócios e lazer. É o tipo de atividade que move a economia local e coloca cidades menores do interior em evidência.
Geovane trabalhava na estrutura técnica do evento, responsável pela sonorização. Seu trabalho era invisível aos olhos do público, mas absolutamente essencial. Sem profissionais como ele, não há shows, palestras ou transmissões ao vivo que funcionem. Era um trabalho comum, rotineiro para quem atua nessa área há anos. Um trabalho que deveria ser seguro.
O crime choca a comunidade palmense e tocantinense justamente porque rompe a ilusão de segurança que envolve eventos públicos. Esses encontros, por maior que seja a aglomeração de pessoas, geralmente são vistos como espaços controlados e relativamente protegidos. A morte de Geovane dentro do perímetro da exposição, durante seu turno de trabalho, mostra que essa sensação de proteção é frágil.
Não há informações públicas sobre o que motivou o disparo. Não se sabe se foi crime relacionado a dívidas, desavenças pessoais, ou se Geovane foi vítima de uma violência aleatória. Essas lacunas deixam investigadores e comunidade em suspenso. A Polícia Civil segue buscando pistas e testemunhas, mas os primeiros dias após um crime como este são sempre os mais críticos — memórias desaparecem, pessoas desaparecem, e pistas se perdem no caos da investigação inicial.
O caso também levanta questões práticas sobre segurança em eventos de grande porte no estado. Quantos agentes de segurança trabalham em uma exposição como essa? Qual é o protocolo de emergência? Como se mantém a ordem quando milhares de pessoas circulam pelo espaço? Essas perguntas não têm respostas fáceis, especialmente em cidades de médio porte que dependem desses eventos para sua economia, mas que muitas vezes carecem de estrutura de segurança pública adequada.
Para quem convive com Geovane — familiares, colegas, amigos — há o vazio de uma morte sem explicação clara. Para quem trabalha em profissões técnicas similares em eventos do Tocantins, há também o incômodo de saber que exercer sua profissão em um fim de semana pode significar risco. E para os frequentadores da Exposição Agropecuária, há a percepção alterada de um espaço que até então era seguro.
A investigação segue aberta. A comunidade de Miranorte e região aguarda respostas. Mas enquanto isso, Geovane da Silva Lima não retorna ao seu trabalho de sonorização, e a Exposição Agropecuária continua existindo no mesmo local onde um técnico de som foi assassinado — uma realidade que marca a história do evento e das cidades que dele dependem.