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Transição verde no agro brasileiro pode custar R$ 2,6 trilhões

Cebrap e ClimaInfo estimam investimento de até R$ 2,6 trilhão até 2050 para tornar a cadeia agroalimentar mais sustentável

📝 Redação CCN13 de setembro de 2026 às 13:00👁 3 leituras
Transição verde no agro brasileiro pode custar R$ 2,6 trilhões

Um estudo conjunto do Cebrap e da ClimaInfo, divulgado em setembro de 2024, avaliou o custo da transição ecológica do agronegócio brasileiro até 2050. Os autores apontam que a soma necessária pode alcançar R$ 2,6 trilhão, um volume que ultrapassa as projeções de investimentos atuais no setor.

A pesquisa parte da premissa de que a produção de alimentos no país precisa alinhar-se às metas climáticas globais e às exigências dos mercados internacionais por produtos de menor pegada de carbono. Para isso, a análise inclui gastos com tecnologias de baixa emissão, manejo de solo que favoreça a captura de carbono, substituição de fontes de energia fósseis por renováveis e práticas que reduzam perdas pós-colheita. A ausência de recursos suficientes, segundo os autores, pode impedir a redução esperada de gases de efeito estufa e comprometer a competitividade do país.

Para os agricultores, o cenário implica a necessidade de repensar modelos de negócio. A adoção de sistemas de plantio direto, a integração lavoura-pecuária e o uso de biofertilizantes exigirão capital de giro adicional e apoio técnico especializado. Consumidores podem sentir os reflexos na mesa, já que custos de produção mais elevados tendem a ser repassados nas cadeias de distribuição. Por outro lado, produtores que anteciparem a mudança poderão acessar novos nichos de mercado que valorizam certificações verdes.

O documento apresenta números detalhados: R$ 2,6 trilhão distribuídos ao longo de três décadas, com a maior parte dos recursos destinada a energia renovável nas unidades de processamento (aproximadamente 30%) e ao desenvolvimento de práticas agrícolas de baixo carbono (cerca de 25%). "Sem o aporte indicado, as metas de redução de emissões estabelecidas para 2030 e 2050 ficam fora de alcance", destaca a conclusão da análise. Os autores reforçam a necessidade de políticas públicas que estimulem linhas de crédito específicas e de parcerias entre bancos, agronegócio e institutos de pesquisa.

O próximo passo, segundo os analistas, será a definição de estratégias de financiamento que integrem recursos públicos e privados. O governo federal já sinaliza a possibilidade de criar fundos dedicados à sustentabilidade do campo, mas ainda não divulgou detalhes operacionais. Enquanto isso, empresas de insumo e cooperativas começam a estruturar programas piloto que testam tecnologias de captura de metano e de eficiência energética. O acompanhamento dos investimentos previstos será fundamental para medir o progresso e ajustar as direções ao longo dos próximos anos.