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Tocantins amplia rede de coleta de DNA para famílias de desaparecidos

Doze pontos no estado receberão amostras durante campanha nacional a partir de segunda-feira

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 21:08👁 2 leituras
Tocantins amplia rede de coleta de DNA para famílias de desaparecidos

O Tocantins vai sediar 12 pontos de coleta de material genético para familiares de pessoas desaparecidas, em ação que começa na próxima segunda-feira (15). As unidades estarão distribuídas em cidades como Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins e outras, permitindo que moradores de todas as regiões do estado possam participar sem precisar se deslocar para a capital.

A iniciativa faz parte de uma mobilização nacional organizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que busca ampliar o banco de dados de DNA no Brasil. No Tocantins, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) será responsável por coordenar os locais e a logística, enquanto a Polícia Civil do estado ficará encarregada de receber e processar as amostras. Segundo a SSP, a ação é uma resposta à demanda crescente por ferramentas que ajudem a identificar corpos não reclamados e a localizar pessoas desaparecidas, especialmente em casos antigos ou sem pistas concretas.

Para quem vive no interior, a novidade pode significar menos burocracia e mais agilidade. Até então, familiares de desaparecidos no Tocantins tinham que se deslocar até a capital ou aguardar por viagens de equipes policiais para realizar o cadastro. Agora, com pontos espalhados pelo estado, o processo deve ficar mais acessível. Em Araguaína, por exemplo, a coleta será feita na 1ª Delegacia Regional, enquanto em Gurupi o atendimento ocorrerá na Delegacia de Plantão. Em Palmas, além da sede da Polícia Civil, o Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOSP) também receberá amostras.

A coleta é simples: basta comparecer a um dos pontos com documento de identificação e, se possível, fotos recentes da pessoa desaparecida. Não é necessário agendamento prévio, mas a SSP recomenda que os familiares levem laudos ou boletins de ocorrência para agilizar o cadastro. Até o momento, 12 unidades foram confirmadas, mas a pasta não descarta a possibilidade de ampliar o número caso haja demanda.

A ação chega em um momento em que o Tocantins registra um aumento no número de desaparecimentos não solucionados. Dados da Polícia Civil mostram que, nos últimos dois anos, cerca de 300 casos foram abertos anualmente no estado, muitos deles sem solução. A falta de um banco de dados robusto de DNA era apontada como um dos principais obstáculos para a identificação de corpos em valas comuns ou em investigações criminais.

A expectativa é que, com a nova rede, o estado consiga reduzir o tempo de espera por respostas. A SSP informou que as amostras coletadas serão encaminhadas ao Laboratório de DNA da Polícia Federal em Brasília, responsável por alimentar o banco nacional. A previsão é que os primeiros resultados comecem a ser divulgados em até 60 dias após a coleta, dependendo da demanda.

Para as famílias, a iniciativa representa uma esperança concreta. Em Porto Nacional, uma mãe que não quis se identificar contou que perdeu o filho há três anos e nunca conseguiu respostas. "A gente vive na incerteza, sem saber se ele está vivo ou morto. Essa coleta pode ser o começo de algo novo", disse. A SSP afirmou que vai monitorar os resultados da campanha e avaliar a necessidade de manter ou expandir os pontos após o término da mobilização.

Os interessados podem verificar a lista completa dos pontos de coleta no site da Polícia Civil do Tocantins ou ligar para o número 197, da SSP, para tirar dúvidas. A campanha segue até o dia 30 de novembro, mas a SSP não descarta prorrogar o prazo caso haja demanda.

A novidade também pode ter reflexos na segurança pública do estado. Com um banco de dados mais completo, a polícia espera agilizar investigações em casos de homicídios, estupros e outros crimes que deixam vestígios biológicos. Em 2023, o Tocantins registrou 18 casos de homicídios com corpos não identificados, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

A ação ainda reforça a integração entre as polícias estaduais e a federal, algo que tem sido prioridade no Tocantins nos últimos anos. O governador Wanderlei Barbosa (PSD) já havia anunciado investimentos em tecnologia para a perícia criminal, mas a coleta de DNA em larga escala é vista como um passo além, capaz de impactar diretamente a vida de centenas de famílias.

Os próximos dias serão decisivos para avaliar o sucesso da iniciativa. Se a adesão for significativa, o Tocantins pode se tornar um exemplo para outros estados na região Norte, onde a estrutura para lidar com desaparecimentos ainda é limitada.

Enquanto isso, as famílias aguardam. Em Palmas, uma senhora que prefere não ser identificada disse que vai até a delegacia na segunda-feira. "Não importa o resultado, pelo menos a gente tentou", afirmou.