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Suicídios no Tocantins sobem 5,8% em 2025 com 164 casos registrados

Mapa da Segurança Pública mostra aumento no número de mortes por suicídio no estado até julho deste ano

📝 Redação CCN03 de setembro de 2026 às 10:00👁 9 leituras
Suicídios no Tocantins sobem 5,8% em 2025 com 164 casos registrados

O Tocantins contabilizou 164 mortes por suicídio nos primeiros sete meses de 2025, segundo dados do Mapa da Segurança Pública divulgados na última semana. O número representa um crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 155 casos. A alta acende um alerta para a saúde mental no estado, especialmente em um momento em que a população enfrenta pressões econômicas e sociais cada vez mais intensas.

O levantamento, produzido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), aponta que o aumento não é uniforme entre as regiões. Cidades como Gurupi, Porto Nacional e Araguaína já superaram a marca de 10 casos cada uma neste ano, enquanto outras localidades ainda não registraram ocorrências. Em Palmas, a capital, os números são monitorados de perto pela Coordenadoria de Políticas sobre Drogas e Saúde Mental, que tem intensificado ações preventivas em bairros como Taquaralto e Jardim Aureny. A pasta reforça a necessidade de ampliar o acesso a serviços de acolhimento, mas admite que a rede ainda enfrenta limitações, como a falta de profissionais especializados em algumas cidades do interior.

Para quem vive no Tocantins, o impacto dessa realidade é sentido no dia a dia. Famílias de vítimas relatam dificuldades para acessar apoio psicológico após as perdas, enquanto moradores de municípios menores denunciam a ausência de políticas públicas específicas para prevenção. Em Araguaína, por exemplo, a Pastoral da Saúde da Diocese local tem organizado rodas de conversa em igrejas e comunidades, tentando preencher a lacuna deixada pelo poder público. No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem destacam que iniciativas isoladas não são suficientes para conter a escalada de casos.

Os números do Mapa da Segurança Pública mostram que, entre janeiro e julho de 2025, a maioria das vítimas era do sexo masculino, com 112 casos, enquanto 52 eram mulheres. A faixa etária mais atingida foi a de 25 a 44 anos, responsável por 68 das ocorrências. A SSP não detalhou os métodos mais utilizados, mas dados históricos do estado indicam que enforcamento e armas de fogo lideram as estatísticas. A pasta também não informou se houve mudanças na metodologia de registro dos casos, o que poderia influenciar a comparação com anos anteriores.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que mantém parcerias com o Centro de Valorização da Vida (CVV) para ampliar o atendimento por telefone e chat, mas reconhece que a demanda supera a oferta. Em nota, a SES afirmou que está em fase de contratação de mais psicólogos para a rede pública, além de capacitar profissionais da atenção básica para identificar sinais de risco. No entanto, a pasta não detalhou prazos ou metas para essas ações.

O aumento dos casos de suicídio no Tocantins reflete uma tendência nacional, mas ganha contornos mais graves em estados com menor estrutura de saúde mental. Enquanto o governo estadual promete reforçar as políticas, a sociedade civil segue cobrando respostas concretas. Em Porto Nacional, uma moradora que perdeu um familiar para o suicídio em 2024 conta que só conseguiu ajuda após procurar uma igreja evangélica. "O posto de saúde aqui não tinha psicólogo, e a fila para atendimento no CAPS era de meses", relata. Sua história é um retrato do que muitos tocantinenses enfrentam: a falta de alternativas rápidas e acessíveis.

A próxima atualização do Mapa da Segurança Pública está prevista para outubro, quando será possível avaliar se a tendência de alta se mantém. Até lá, a pressão sobre as autoridades deve aumentar, especialmente em um ano marcado por cortes orçamentários na saúde e na segurança pública. Enquanto isso, famílias e comunidades seguem buscando formas de se proteger, mesmo sem o apoio necessário do Estado.