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Tocantins busca diversificar economia além do setor público

Estudo aponta que a industrialização pode reduzir a dependência de Palmas e outras cidades do estado 2024

📝 Redação CCN24 de junho de 2026 às 11:28👁 6 leituras

O Tocantins precisa acelerar a industrialização para diminuir a forte dependência do setor público, que hoje sustenta grande parte da economia estadual. A conclusão é de uma análise recente que coloca em xeque o modelo de desenvolvimento local, onde empregos e renda ainda dependem, em grande medida, de cargos públicos e repasses federais.

A discussão não é nova, mas ganha urgência em um momento em que o estado tenta atrair investimentos para além da administração pública. Em 2023, o Tocantins registrou um crescimento de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda. No entanto, 60% desse avanço veio de setores diretamente ligados ao governo, como saúde, educação e infraestrutura. O restante ficou concentrado em atividades como agricultura e comércio, que, embora relevantes, não conseguem absorver a mão de obra disponível na mesma proporção.

A situação é mais crítica em cidades como Gurupi, Araguaína e Porto Nacional, onde a oferta de empregos formais depende majoritariamente de concursos públicos. Em Palmas, a realidade não é muito diferente: o setor de serviços, impulsionado por servidores e prestadores de serviços para o governo, responde por 70% da economia local. "O modelo atual não é sustentável a longo prazo", afirmou o economista José Wilson da Silva, professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT). "Se não diversificarmos, vamos continuar reféns das oscilações políticas e dos cortes orçamentários."

A falta de indústrias de médio e grande porte também se reflete na balança comercial do estado. Em 2023, o Tocantins exportou US$ 1,2 bilhão, mas 80% desse valor veio de commodities como soja e carne bovina. Produtos industrializados representaram apenas 15% das vendas externas, um percentual baixo comparado a estados vizinhos como Goiás e Mato Grosso. "Precisamos atrair indústrias que agreguem valor à nossa produção agropecuária", defendeu a secretária de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Adriana Accorsi. "Isso não só geraria empregos, como também reduziria a dependência de commodities."

Ainda assim, o caminho não é simples. O Tocantins enfrenta desafios como a logística precária, com estradas que encarecem o escoamento de produtos, e a falta de mão de obra qualificada para setores industriais. Em Araguaína, por exemplo, empresas do ramo de alimentos e bebidas reclamam da dificuldade em encontrar profissionais treinados para operar máquinas. "Temos vagas, mas não temos quem ocupe", disse o presidente da Associação Comercial e Industrial de Araguaína (ACIA), Carlos Alberto Oliveira.

A solução, segundo especialistas, passa por políticas públicas mais agressivas de incentivo fiscal e pela parceria com o setor privado. O governo estadual já anunciou a criação de um fundo de R$ 50 milhões para financiar projetos industriais, mas o valor é considerado insuficiente por empresários. "É um começo, mas precisamos de mais. O Pará e o Maranhão já oferecem benefícios maiores", comparou Oliveira.

Enquanto isso, a população sente os reflexos da falta de diversificação. Em Porto Nacional, o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos chega a 18%, segundo o IBGE. Muitos optam por migrar para outras regiões em busca de oportunidades. "Aqui só tem emprego público ou informalidade", contou Maria Silva, 28 anos, moradora do bairro Santa Rita. "Se não mudar, a gente não tem futuro."

O governo estadual reconhece a necessidade de agir rápido. Em entrevista ao *Jornal do Tocantins*, o secretário de Planejamento, Rogério Teles, afirmou que o estado está mapeando setores com potencial industrial, como energia renovável e metalurgia. "Temos potencial para ser um polo de energia solar, mas falta infraestrutura", declarou. A expectativa é que, até 2026, pelo menos três novas indústrias de médio porte se instalem no estado, gerando 500 empregos diretos.

Para especialistas, o momento é de virada. "O Tocantins não pode mais adiar essa discussão", alertou o economista José Wilson. "Ou a gente industrializa agora, ou vamos continuar dependendo de repasses que não são eternos."