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Tocantins recebe 1.184 novas casas pelo Minha Casa Minha Vida

Seleção de projetos urbanos e rurais contempla entidades e movimentos sociais em todo o estado

📝 Redação CCN16 de junho de 2026 às 15:09👁 1 leituras
Tocantins recebe 1.184 novas casas pelo Minha Casa Minha Vida

O Tocantins acaba de garantir 1.184 novas moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida, após seleção de projetos apresentados por entidades e movimentos sociais. As unidades serão distribuídas tanto na área urbana quanto na rural, com foco em famílias de baixa renda que aguardam há anos por um teto digno. A lista final foi publicada pelo Governo Federal nesta semana, e agora os municípios tocantinenses começam a se mobilizar para viabilizar as obras.

A seleção faz parte da terceira fase do programa, que tem como prioridade atender regiões com maior déficit habitacional. No Tocantins, as propostas foram avaliadas por critérios como vulnerabilidade social, localização dos terrenos e capacidade das entidades proponentes de executar os projetos. Entre as entidades selecionadas estão associações de moradores, cooperativas habitacionais e organizações não governamentais, que apresentaram propostas tanto para a construção de casas quanto para a regularização de áreas já ocupadas. Em Palmas, por exemplo, uma das entidades contempladas atua há mais de uma década na região sul da capital, onde a demanda por moradia é histórica. Já em municípios como Gurupi e Araguaína, os projetos incluem tanto a construção de novas unidades quanto a reforma de imóveis em áreas rurais, onde muitas famílias vivem em condições precárias.

Para quem espera há anos por uma casa própria, a notícia chega como um alívio. Em Porto Nacional, uma moradora da zona rural, que preferiu não se identificar, conta que a família vive em um barraco de madeira há mais de sete anos. "A gente sonha com isso desde que cheguei aqui. Agora, pelo menos, tem esperança de sair do aluguel ou daquele lugar que não oferece segurança", desabafa. A expectativa é que as primeiras obras comecem ainda este ano, mas o ritmo dependerá da liberação de recursos e da burocracia que, não raro, atrasa projetos no estado. Em Araguaína, o prefeito destacou que a cidade tem 120 unidades previstas, o que deve beneficiar cerca de 480 pessoas. "É um passo importante, mas sabemos que o desafio é grande. Vamos trabalhar para que as obras não fiquem paralisadas", afirmou o gestor municipal.

Os números revelam um esforço concentrado em regiões onde o déficit habitacional é mais agudo. Dos 1.184 imóveis, 850 são para a área urbana e 334 para a rural. Em Palmas, a Companhia de Habitação do Tocantins (Cohat) já iniciou os estudos para identificar os terrenos mais adequados, priorizando áreas próximas a serviços básicos como saúde e transporte. No interior, municípios como Paraíso do Tocantins e Miracema do Tocantins também foram contemplados, com projetos que incluem desde casas novas até a regularização de lotes em ocupações irregulares. A seleção foi feita em parceria com o Ministério das Cidades, que analisou não apenas a viabilidade técnica, mas também a capacidade das entidades de gerir os recursos sem desvios.

A notícia chega em um momento em que o Tocantins enfrenta pressões por mais investimentos em habitação. Em 2023, o estado registrou um aumento de 15% no número de famílias morando em situação de rua, segundo dados da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça. Além disso, a crise no setor imobiliário, agravada pela alta dos preços dos materiais de construção, tem feito com que muitas famílias desistam de buscar financiamentos. "Esses projetos são uma válvula de escape para quem não tem condições de pagar aluguel ou de construir por conta própria", explica um técnico da Secretaria de Estado da Habitação. A expectativa é que as primeiras unidades sejam entregues até 2025, mas o cronograma pode sofrer ajustes conforme a liberação de verbas federais.

Agora, as entidades selecionadas têm até 60 dias para apresentar os projetos executivos e iniciar os processos licitatórios. Em Palmas, a Cohat já anunciou que vai priorizar obras em bairros como o Jardim Aureny IV e o Taquaralto, onde a demanda é maior. No entanto, há receios de que a burocracia e a falta de mão de obra qualificada possam atrasar o andamento. "A gente sabe que o caminho é longo, mas essa é a primeira vez em anos que a gente vê uma luz no fim do túnel", comenta um líder comunitário de Araguaína. Enquanto isso, o Governo Federal já garantiu que os recursos estão assegurados, mas alerta que a execução dependerá da colaboração dos municípios e das entidades.

O que vem pela frente? As obras devem começar ainda este ano em pelo menos cinco municípios, com prioridade para aqueles que já têm terrenos demarcados e projetos aprovados. Em Palmas, a previsão é de que as primeiras 200 casas sejam entregues até o final de 2024. Já no interior, a expectativa é de que os moradores das áreas rurais sejam os primeiros a serem beneficiados, devido à urgência das condições de moradia. Enquanto isso, as famílias que aguardam há anos pelo Minha Casa, Minha Vida seguem na fila, torcendo para que a promessa se cumpra antes que a esperança se esgote.