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Tocantins ultrapassa 100 municípios no sistema de segurança alimentar

Programa estadual já beneficia mais de 4 mil trabalhadores tocantinenses em 100 cidades

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 17:15👁 1 leituras
Tocantins ultrapassa 100 municípios no sistema de segurança alimentar

O Tocantins acaba de atingir a marca de 100 municípios integrados ao Sistema Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan-TO), um avanço que não só amplia o acesso a políticas públicas de alimentação saudável no estado, mas também impulsiona a geração de empregos formais. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), desde o início da adesão ao sistema, foram criados 4.100 novos postos de trabalho em todo o território tocantinense, com foco em atividades ligadas à agricultura familiar, cooperativas e empreendimentos locais.

A adesão ao Sisan-TO não é apenas um número: ela representa a consolidação de uma rede que conecta prefeituras, agricultores e consumidores em torno de um objetivo comum. Municípios como Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins já colhem os frutos dessa integração, que inclui desde a distribuição de alimentos da agricultura familiar até a implementação de hortas comunitárias em bairros periféricos. Em Palmas, por exemplo, bairros como Taquaralto e Jardim Aureny já contam com feiras livres que priorizam produtos locais, fortalecendo a economia dos pequenos produtores e reduzindo a dependência de alimentos vindos de fora do estado.

O coordenador do Sisan-TO, José Carlos da Silva, explica que a expansão do sistema está diretamente ligada ao aumento da demanda por alimentos de qualidade e à necessidade de profissionalizar a cadeia produtiva no campo. "Quando um município adere ao Sisan, ele não só garante o acesso a recursos do governo federal, como também abre portas para que os agricultores familiares possam vender sua produção de forma organizada. Isso significa mais emprego, mais renda e, consequentemente, menos pessoas dependendo de programas assistenciais", afirmou Silva. Segundo ele, a meta é chegar a 120 municípios até o final de 2025, o que deve gerar outros 2 mil empregos nos próximos dois anos.

Para quem vive no interior do Tocantins, os benefícios já são visíveis no cotidiano. Em Miracema, por exemplo, a prefeitura investiu recentemente R$ 1,2 milhão em um programa de merenda escolar com 100% de alimentos provenientes da agricultura local, beneficiando diretamente 12 mil estudantes e 300 pequenos produtores. Em Colinas do Tocantins, a Cooperativa dos Agricultores Familiares (Coopafam) ampliou sua equipe de 15 para 40 funcionários após fechar parcerias com o Sisan-TO, que garantiram a venda de 80 toneladas de alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) nos últimos 12 meses.

A secretária de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura, Thayane Noleto, destaca que o Sisan-TO é uma ferramenta de desenvolvimento regional que vai além da segurança alimentar. "Não estamos falando apenas de colocar comida na mesa, mas de criar um ciclo virtuoso: o agricultor produz, vende, gera emprego e ainda contribui para a saúde da população. Em tempos de crise econômica, isso faz toda a diferença", afirmou. Ela lembra que, em 2023, o Tocantins foi o estado do Norte que mais cresceu em adesões ao Sisan, com 25 novos municípios integrados em apenas um ano.

Os próximos passos incluem a capacitação de mais de 500 técnicos municipais para atuarem como multiplicadores do sistema, além da ampliação de linhas de crédito para cooperativas. Em Palmas, a prefeitura já estuda a criação de um selo de qualidade para produtos da agricultura familiar, que será usado em feiras e supermercados locais. Enquanto isso, no interior, prefeituras como as de Dianópolis e Natividade preparam editais para contratar mais 150 trabalhadores em projetos de segurança alimentar até o fim de 2024.

O Sisan-TO não é um programa novo, mas sua expansão recente mostra que o estado está finalmente colhendo os resultados de uma política pública pensada para as realidades locais. Para os tocantinenses, isso significa menos filas nos postos de saúde por conta de doenças relacionadas à má alimentação e mais oportunidades de trabalho digno, especialmente nas cidades menores, onde o emprego formal ainda é escasso. A pergunta que fica é: quando os outros 40 municípios do Tocantins também farão parte desse movimento?