Terremotos na Venezuela deixam milhares sem lar e ajuda
ONGs relatam aumento da demanda por água e alimentos após resgates em escombros de abalos sísmicos

A Venezuela amanheceu ontem com um cenário de devastação após uma sequência de terremotos que sacudiram o oeste do país, deixando cidades inteiras em estado de calamidade. Os abalos, registrados nas últimas 48 horas, atingiram regiões próximas à fronteira com a Colômbia, onde prédios desabaram e estradas ficaram interditadas. Equipes de resgate ainda trabalham para retirar sobreviventes dos escombros, enquanto a população local enfrenta a falta de itens básicos para sobreviver.
Os tremores começaram na madrugada de segunda-feira, com o mais forte deles alcançando 6,3 graus na escala Richter. Segundo relatos de moradores, o chão tremeu por quase um minuto, tempo suficiente para derrubar paredes e danificar estruturas já fragilizadas pela crise econômica que assola o país há anos. Nas cidades de Mérida e Táchira, as mais afetadas, hospitais improvisados foram montados em praças públicas, enquanto voluntários distribuem água e alimentos entre os desabrigados. A Cruz Vermelha venezuelana informou que pelo menos 12 mil pessoas já foram removidas dos escombros, mas o número de vítimas ainda é incerto, já que muitas famílias permanecem soterradas.
A situação piora a cada hora. Em Mérida, uma das áreas mais atingidas, o prefeito local declarou estado de emergência e pediu ajuda internacional. "As pessoas estão dormindo nas ruas porque suas casas não existem mais", contou um morador ao portal *El Nacional*. A falta de energia elétrica e de comunicação dificulta ainda mais os resgates, e hospitais já começam a ficar sobrecarregados com feridos. Autoridades locais estimam que pelo menos 500 pessoas tenham sofrido ferimentos graves, mas o número pode ser maior, já que muitos ainda estão presos sob os escombros.
ONGs como a *Caritas* e a *Médicos Sem Fronteiras* já começaram a enviar equipes para a região, mas a logística é complicada. A Venezuela enfrenta há anos uma crise humanitária agravada por sanções internacionais e pela hiperinflação, o que limita a capacidade do governo de responder à tragédia. "Não temos recursos nem para os nossos próprios cidadãos", admitiu um funcionário do Ministério da Saúde venezuelano, que pediu anonimato. A ajuda externa, embora necessária, enfrenta barreiras burocráticas e a falta de segurança nas estradas, controladas por grupos armados.
Para os tocantinenses, a cena pode soar familiar. Em 2010, o estado sofreu com enchentes que deixaram milhares desabrigados, e a solidariedade da população local foi fundamental para a reconstrução. "A gente sabe como é viver sem estrutura depois de uma tragédia", lembra um morador de Palmas que participou de ações voluntárias na época. A diferença, no entanto, é que a Venezuela não tem a mesma rede de apoio que o Tocantins pôde contar. Enquanto aqui os governos estadual e municipal agiram rapidamente, lá a resposta é lenta e insuficiente.
O que se sabe até agora é que os tremores não deram trégua. Nas últimas horas, novos abalos foram registrados, mantendo a população em pânico. Especialistas do Observatório Sismológico da Venezuela alertam que réplicas podem ocorrer nos próximos dias, o que aumenta o risco de novos desmoronamentos. "As estruturas já estão comprometidas", afirmou um geólogo ouvido pela imprensa local. A prioridade agora é evitar que mais pessoas fiquem presas ou morram soterradas.
Enquanto isso, a comunidade internacional começa a se mobilizar. O Brasil, que já enviou ajuda humanitária para a Venezuela em outras ocasiões, deve coordenar com a ONU a entrega de suprimentos nos próximos dias. A Colômbia, vizinha e também afetada pelos tremores, já abriu suas fronteiras para receber feridos e desabrigados. "Não podemos deixar que uma tragédia se transforme em uma catástrofe ainda maior", declarou um porta-voz da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O futuro imediato depende de dois fatores: a velocidade com que a ajuda chegará e a estabilidade dos tremores. Até lá, milhares de venezuelanos seguirão contando com a sorte e a solidariedade alheia para sobreviver. Em meio ao caos, uma coisa é certa: a reconstrução será longa e dolorosa, e o país precisará de muito mais do que apenas palavras de apoio para se reerguer.