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UE fiscaliza frigoríficos e apicultores brasileiros por duas semanas

Missão europeia verifica uso de antimicrobianos em carnes de aves e mel; inspeção ocorre até o fim do mês em unidades de São Paulo e Paraná

📝 Redação CCN25 de agosto de 2026 às 01:33👁 2 leituras
UE fiscaliza frigoríficos e apicultores brasileiros por duas semanas

Uma equipe de técnicos da União Europeia desembarcou no Brasil para uma fiscalização inédita. Até o dia 28, eles percorrem frigoríficos e unidades de processamento de carnes de aves e apiculturas em São Paulo e Paraná. O foco é checar se os protocolos de controle de antimicrobianos estão sendo seguidos à risca. A missão, que começou na segunda-feira, tem potencial para redefinir o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu — um dos mais exigentes do mundo.

A agenda é intensa. Os avaliadores da UE vão analisar desde a produção até a fiscalização sanitária, passando por registros de medicamentos veterinários e testes laboratoriais. A preocupação não é nova: nos últimos anos, a Europa tem endurecido as regras para evitar resíduos de antibióticos em alimentos, temendo o desenvolvimento de superbactérias. No Brasil, o setor avícola é o segundo maior exportador mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2023, o país enviou 4,7 milhões de toneladas para mais de 150 países, com a União Europeia entre os principais destinos. No Tocantins, onde a avicultura cresce em municípios como Gurupi e Porto Nacional, a notícia acende um alerta. Produtores locais já se preparam para possíveis ajustes nos processos, caso a fiscalização aponte irregularidades em outras regiões.

A apicultura também está no radar. O Brasil é o 11º maior produtor de mel do mundo, com exportações crescentes para a Europa. Em 2022, o país enviou 32 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Exportadores de Mel. Aqui no Tocantins, a atividade ganha força em cidades como Paraíso do Tocantins e na região do Bico do Papagaio, onde pequenos e médios produtores apostam no mel como alternativa de renda. Se a missão europeia identificar falhas nos controles sanitários, os impactos podem ser diretos: barreiras comerciais que fechariam portas para milhares de famílias que dependem do setor.

Os técnicos da UE não trabalham sozinhos. Eles são acompanhados por fiscais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já haviam sinalizado a necessidade de reforçar os protocolos. Em nota, o Mapa informou que "as inspeções fazem parte de um acordo bilateral para garantir a segurança alimentar e a saúde pública". A Anvisa, por sua vez, destacou que "o Brasil já adota medidas rigorosas, mas a harmonização com os padrões europeus é fundamental para manter a competitividade".

Para o Tocantins, a fiscalização europeia chega em um momento estratégico. O estado tem investido em sanidade animal e vegetal, com projetos como o "Tocantins Livre de Febre Aftosa" e a expansão da avicultura em Gurupi e Porto Nacional. A Secretaria Estadual de Agricultura (Seagro) monitora de perto os desdobramentos. "Qualquer alteração nos padrões internacionais afeta diretamente nossas exportações", afirmou um técnico da pasta, que pediu para não ser identificado. A preocupação não é só comercial: a saúde pública também está em jogo. O uso indiscriminado de antimicrobianos pode gerar resistência bacteriana, um problema global que já preocupa hospitais brasileiros.

Os próximos dias serão decisivos. Se a missão europeia aprovar os protocolos brasileiros, os exportadores ganham fôlego. Caso contrário, ajustes serão necessários — e rápidos. No Tocantins, onde a avicultura e a apicultura movimentam milhões, a notícia já acendeu discussões entre produtores e cooperativas. Em Porto Nacional, por exemplo, uma cooperativa de mel já convocou uma reunião emergencial para revisar seus processos. "A Europa não perdoa erros", resumiu um apicultor local. Enquanto isso, em Brasília, o governo federal acompanha o caso de perto, ciente de que o resultado pode influenciar não só as exportações, mas também o preço dos alimentos no mercado interno.

A fiscalização termina no dia 28, mas os efeitos podem durar meses. Para o Tocantins, a lição é clara: a sanidade animal e vegetal não é apenas uma questão de burocracia, mas de sobrevivência econômica. E, nesse jogo, não há margem para erros.