TCE rejeita contas de Cláudio Castro em votação apertada
Tribunal fluminense identifica falhas contábeis no registro de investimentos do ex-governador e envia parecer negativo para análise legislativa

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro rejeitou as contas de 2025 apresentadas por Cláudio Castro. A votação terminou com três votos contra um, sinalizando divisão entre os conselheiros sobre a gravidade das irregularidades encontradas.
A decisão expõe falhas contábeis e coloca em dúvida registros de investimentos que Castro afirmava ter realizado durante sua gestão. O parecer negativo agora segue para a Assembleia Legislativa do Rio, onde deputados estaduais farão análise própria das irregularidades apontadas pelos conselheiros do tribunal.
Castro governou o Rio de Janeiro entre 2021 e 2022, período marcado por crises financeiras e questionamentos sobre como os recursos públicos eram gastos. Sua administração herdou um estado com contas desorganizadas e dívidas crescentes, legado da gestão anterior. Mesmo considerando esse cenário complicado, a rejeição das contas de 2025 indica que o tribunal identificou problemas específicos na forma como o ex-governador registrou ou justificou despesas durante seu mandato.
Quando um tribunal rejeita contas públicas, está sinalizando mais que um problema administrativo. A decisão sugere que há evidências de irregularidades — sejam elas desvios de recursos, registros imprecisos, investimentos não comprovados ou gastos sem justificativa adequada. Isso é diferente de uma conta simplesmente auditada com ressalvas. É uma reprovação que abre portas para ações futuras.
O trâmite institucional que se segue é crucial. Na Assembleia Legislativa, o parecer do tribunal será analisado por deputados que têm poder para avançar em investigações ou encaminhar denúncias a órgãos como o Ministério Público. Dependendo de como os parlamentares avaliem as irregularidades, podem abrir caminho para ações políticas e legais contra Castro — desde moções de repúdio até processos administrativos ou criminais, se houver comprovação de atos ilícitos.
Para quem acompanha política no Rio, essa rejeição das contas é mais um capítulo numa série de questionamentos sobre a administração Castro. Não é um incidente isolado, mas parte de um padrão de escrutínio crescente sobre sua passagem pelo Palácio Guanabara.
O impacto prático é significativo. Se o Legislativo aceitar as conclusões do tribunal e avançar em investigações, Castro pode enfrentar consequências que vão além da esfera administrativa. Além disso, a rejeição das contas afeta a reputação do ex-governador publicamente e pode influenciar sua viabilidade em futuras disputas políticas.
Para os tocantinenses que acompanham política estadual em outros estados, esse caso ilustra como tribunais de contas funcionam como guardiões do dinheiro público — quando funcionam bem. No Tocantins, assim como no Rio, essas instituições têm responsabilidade de verificar se gestores públicos gastaram os recursos como deveriam. Quando rejeitam contas, estão fazendo seu trabalho, ainda que isso gere tensões políticas.
A votação apertada (3 a 1) mostra que há divergência técnica sobre a gravidade dos achados. Mas a maioria prevaleceu, e isso pesará no debate legislativo que virá. O que o tribunal encontrou nas contas de Castro agora passa por novo filtro — o dos deputados — antes de potenciais desdobramentos legais.