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STJ marca depoimento de acusadoras do ministro Buzzi

Corte superior ouve mulheres que denunciam assédio sexual de magistrado em junho

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 21:09👁 1 leituras
STJ marca depoimento de acusadoras do ministro Buzzi

O Superior Tribunal de Justiça agendou para 11 de junho os depoimentos de mulheres que acusam o ministro Buzzi de assédio sexual. A data marca um ponto de inflexão na apuração de denúncias que questionam a conduta de um dos membros mais influentes da segunda maior corte do país.

Este caso ganhou repercussão nos últimos meses e toca em feridas profundas: poder, hierarquia e segurança no trabalho — particularmente dentro do Judiciário, instituição que deveria ser guardiã do cumprimento da lei. Para quem acompanha a crise de confiança que atinge o Poder Judiciário, a situação reforça uma angústia antiga: como punir quem deveria fazer justiça?

As acusações contra Buzzi envolvem comportamentos enquadrados como assédio sexual. As mulheres relatam episódios que as deixaram humilhadas e prejudicadas em suas carreiras. A força dessas denúncias reside justamente em sua multiplicidade. Quando mais de uma pessoa apresenta narrativas parecidas — detalhes convergentes, padrões de comportamento similares — a credibilidade sobe e a instituição não consegue ignorar. Por isso o STJ não teve outra saída senão ativar a investigação.

O Judiciário conhece bem esse dilema. Internamente, sabe que casos de assédio contra magistrados frequentemente não chegam ao conhecimento público porque as vítimas temem represálias ou desacreditação profissional. A hierarquia é asfixiante. Um ministro do STJ está no topo da pirâmide; questionar sua conduta pode enterrar carreiras. Esse desequilíbrio de poder torna as denúncias ainda mais relevantes quando afloram.

A marcação dos depoimentos para junho sinaliza uma investigação que avança com cautela processual — o caminho correto do ponto de vista legal. O STJ precisa ouvir as acusadoras antes de qualquer decisão sobre medidas administrativas ou processuais contra o ministro. É protocolo. Mas para quem sofreu os supostos abusos, o processo é desesperadoramente lento. Meses se arrastam. A rotina continua. O ministro permanece em suas funções.

Este tipo de investigação em cortes superiores costuma ser envolvido em sigilo processual. Poucos detalhes vazam para a mídia. O que se sabe é que as denúncias despertaram preocupação dentro do tribunal — sinal de que não se trata de acusações levianamente formuladas ou facilmente descartadas. O STJ não marca depoimentos de vítimas de assédio por protocolo burocrático vazio. Marca porque há questões a serem esclarecidas.

O contexto tocantinense, onde o Judiciário estadual também enfrenta seus próprios questionamentos sobre conduta de magistrados, adiciona relevância a este caso. O que acontece no STJ reverbera nas estruturas locais de poder. Se a corte máxima de justiça federal não conseguir lidar com transparência e rigor com denúncias internas, qual será a mensagem para os tribunais estaduais e juizados pelo Brasil?

Os desdobramentos esperados passam por resultados concretos. Ou o depoimento de junho gera conclusões que levam a punições — desde advertências até afastamento do cargo —, ou alimenta o ceticismo sobre a capacidade do Judiciário de se autorreguler. Vítimas de assédio em ambientes de trabalho, particularmente em instituições públicas, observam atentamente. Se ministros estão acima de consequências, qual segurança existe para mulheres em qualquer repartição do país?

A data marcada é mais do que um compromisso de agenda. É um teste de credibilidade de uma instituição que precisa urgentemente recuperar confiança pública. As mulheres que vão depor em junho merecem ser ouvidas seriamente. O Judiciário merece provar que consegue aplicar a lei também dentro de suas próprias portas.