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Armadilha inovadora contra escorpiões chega ao Tocantins

Startup Ecobiotech lança Scorpfem para monitorar Tityus serrulatus sem veneno; ferramenta pode ajudar moradores de Palmas e interior

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:06👁 4 leituras
Armadilha inovadora contra escorpiões chega ao Tocantins

Na última quinta-feira, a Ecobiotech, startup brasileira especializada em soluções ecológicas para pragas, apresentou ao mercado a Scorpfem, uma armadilha inédita para capturar e monitorar escorpiões-amarelos (Tityus serrulatus). O lançamento aconteceu em São Paulo, mas a novidade já começa a chamar atenção no Tocantins, estado onde casos de acidentes com a espécie são frequentes, especialmente em regiões urbanas e periurbanas.

A Scorpfem funciona como um dispositivo de monitoramento passivo, ou seja, não utiliza veneno nem substâncias químicas para atrair ou eliminar os animais. Em vez disso, ela se baseia em um sistema de isca atrativa — desenvolvida a partir de estudos sobre o comportamento do escorpião-amarelo — que guia o animal até um compartimento fechado, onde ele pode ser identificado e removido com segurança por profissionais treinados. Segundo a empresa, a armadilha é a primeira do tipo no Brasil voltada especificamente para essa espécie, considerada uma das mais perigosas do país devido à sua alta capacidade de adaptação e reprodução.

A chegada da Scorpfem ao Tocantins chega em um momento em que a Secretaria Estadual de Saúde (SES-TO) registra um aumento nos casos de acidentes com escorpiões nos últimos dois anos. Em 2023, foram mais de 1.200 notificações no estado, com destaque para municípios como Araguaína, Gurupi e Palmas, onde a urbanização desordenada e a falta de saneamento básico favorecem a proliferação do aracnídeo. Em Palmas, bairros como Taquaralto, Jardim Aureny e Plano Diretor Sul concentram a maior parte dos registros, segundo dados da Vigilância Ambiental da capital.

Para o biólogo e diretor da Ecobiotech, Rafael Mendes, a Scorpfem pode ser uma ferramenta complementar no controle da população de escorpiões-amarelos. "Nossa armadilha não elimina a necessidade de ações de limpeza urbana ou de conscientização da população, mas oferece uma forma segura de monitorar a presença desses animais sem agredir o meio ambiente", afirmou. A empresa já iniciou conversas com prefeituras tocantinenses para testar a Scorpfem em áreas críticas, como terrenos baldios e depósitos de lixo irregulares.

A novidade também desperta interesse em setores como a saúde pública e a defesa civil. O coordenador da Vigilância Ambiental de Palmas, Marcos Oliveira, destacou que a armadilha poderia ajudar a mapear focos de infestação antes que eles se tornem um problema maior. "Hoje, nosso trabalho depende muito de denúncias da população. Com uma ferramenta como essa, poderíamos agir de forma mais preventiva", disse. A prefeitura de Palmas já sinalizou interesse em avaliar a Scorpfem, mas ainda não há previsão de quando ou se o equipamento será incorporado ao plano municipal de controle de pragas.

Além de Palmas, cidades do interior do Tocantins também enfrentam desafios com escorpiões. Em Porto Nacional, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde registrou um surto em 2022, quando mais de 50 casos foram notificados em apenas três meses. A proximidade com áreas de cerrado e a falta de coleta regular de lixo contribuem para o cenário. A Scorpfem, se adotada, poderia ser uma aliada nesses municípios, onde a estrutura de saúde muitas vezes é limitada para lidar com emergências.

A Ecobiotech já comercializa a Scorpfem em outros estados, como Minas Gerais e São Paulo, onde a espécie também é um problema recorrente. No Tocantins, o custo inicial da armadilha — cerca de R$ 150 por unidade — ainda é um ponto de atenção para prefeituras e moradores. No entanto, a empresa argumenta que o investimento pode compensar a longo prazo, reduzindo gastos com atendimentos médicos e campanhas de controle.

A expectativa é que, nos próximos meses, a Scorpfem seja testada em pelo menos duas cidades tocantinenses, com apoio de universidades locais e órgãos de saúde. Enquanto isso, a população segue atenta: em grupos de moradores de bairros como o Jardim Taquari, em Palmas, a preocupação com escorpiões é constante. "A gente já viu um na calçada da minha casa. Se essa armadilha ajudar a evitar mais casos, melhor", contou a dona de casa Maria Silva, moradora do local.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh-TO) informou que está acompanhando o desenvolvimento da tecnologia, mas ainda não há previsão de adesão oficial. Enquanto isso, a Ecobiotech segue em contato com gestores municipais para apresentar a Scorpfem como uma solução prática e sustentável para um problema que afeta milhares de tocantinenses todos os anos.