Brasil e Paraguai ganham exclusividade em corte de tarifas dos EUA para carne
CEO da Minerva Foods afirma que apenas os dois países serão beneficiados pela medida anunciada

O mercado de exportação de carne bovina acaba de ganhar um novo capítulo com a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas para produtos de origem animal. Durante evento realizado em Barretos, no interior de São Paulo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, deixou claro que apenas Brasil e Paraguai serão diretamente favorecidos por essa medida.
A notícia foi dada em tom direto e sem rodeios, durante apresentação que reuniu produtores e representantes do setor. Segundo o executivo, a exclusividade dos dois países sul-americanos no acordo não é uma suposição, mas uma definição já estabelecida pelas autoridades norte-americanas. A redução de tarifas, ainda segundo Queiroz, não se estende a outras nações, mesmo aquelas com tradição na exportação de carne, como Argentina ou Uruguai.
A medida chega em um momento de alta demanda global por proteínas animais, especialmente após a crise sanitária que afetou cadeias produtivas em diversos continentes. Nos últimos anos, os Estados Unidos têm ajustado suas políticas comerciais para fortalecer alianças estratégicas, e a carne bovina parece ser um dos setores priorizados nessa estratégia. A decisão, no entanto, não é automática: depende de uma série de negociações prévias entre governos e setores privados, além de cumprimento de normas sanitárias e fitossanitárias.
Para os dois países beneficiados, a vantagem é clara. O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, já tem acordos comerciais consolidados com os EUA, mas enfrenta barreiras tarifárias que encarecem seus produtos no mercado norte-americano. Com a redução, a competitividade deve aumentar, possibilitando que mais cortes sejam vendidos a preços mais atrativos. No Paraguai, a situação é semelhante: o país tem potencial produtivo, mas depende de acesso facilitado a mercados como o dos Estados Unidos para ampliar suas vendas.
Fernando Galletti de Queiroz não detalhou o percentual de redução das tarifas, mas afirmou que a medida já está em fase de implementação. "Os Estados Unidos estão abrindo espaço para quem tem condições de atender às exigências sanitárias e de qualidade", declarou o executivo. A declaração reforça a ideia de que a decisão não é apenas comercial, mas também técnica, baseada em critérios rígidos de segurança alimentar.
O impacto imediato deve ser sentido nas exportações dos dois países. No Brasil, que já exporta cerca de 20% de sua produção para os EUA, a expectativa é de um crescimento ainda maior nos volumes embarcados. No Paraguai, onde a carne bovina representa uma fatia importante da pauta exportadora, a medida pode significar uma virada na participação do país no mercado norte-americano.
A notícia também levanta questões sobre os próximos passos. Se a redução de tarifas se mostrar efetiva, outros países podem buscar negociações semelhantes com Washington. Por enquanto, no entanto, a prioridade é consolidar a vantagem obtida por Brasil e Paraguai. O setor privado já começa a se movimentar para aproveitar a oportunidade, com empresas ajustando seus cronogramas de exportação e investindo em certificações que atendam aos novos requisitos.
O que ainda não está claro é como os demais players do mercado reagirão. Países como Austrália e Nova Zelândia, que também competem no setor, podem pressionar por tratamentos semelhantes. Até agora, porém, a porta permanece fechada para eles. A decisão dos EUA, portanto, não apenas redefine a geografia das exportações de carne bovina, mas também acende um sinal de alerta para quem ficou de fora.
Enquanto isso, no Brasil e no Paraguai, os produtores já se preparam para o que vem pela frente. A redução de tarifas pode ser o empurrão que faltava para alavancar ainda mais a presença desses países no mercado norte-americano — mas o sucesso dependerá de fatores além dos preços, como logística, qualidade e capacidade de atendimento à demanda.