Estudo comprova ganhos com rotação soja-milho em 15 safras
Pesquisa da Agroicone mostra redução de custos e maior resiliência nas lavouras com a diversificação

Um levantamento feito pela Agroicone, com base em dados de 15 safras consecutivas, revelou que a combinação entre soja e milho no mesmo ciclo agrícola não só eleva a produtividade como também corta gastos e torna as plantações mais resistentes a adversidades climáticas. A análise, que cruzou informações de diferentes regiões produtoras, identificou que a prática reduz a necessidade de adubação e controle de pragas, além de melhorar a estrutura do solo ao longo do tempo.
A pesquisa, inédita no Brasil, analisou lavouras que adotaram o sistema integrado, comparando-as com áreas de monocultura. Os resultados mostram que, em média, a rotação aumentou a produtividade em 12% para a soja e 8% para o milho, enquanto os custos com insumos caíram cerca de 15%. Outro ponto destacado foi a menor incidência de doenças e pragas, graças à quebra do ciclo de patógenos que se proliferam em plantios repetidos da mesma cultura. A diversificação também contribuiu para a retenção de umidade no solo, um fator cada vez mais crítico em períodos de seca prolongada.
Para os produtores rurais, os números têm peso real. Um agricultor que cultiva 500 hectares com soja e milho em rotação pode economizar até R$ 180 mil por safra em insumos, segundo projeções da Agroicone. Além disso, a prática permite uma segunda colheita no mesmo ano, o que dilui os riscos financeiros. A resiliência das lavouras também se mostrou maior: em anos de chuvas irregulares, as áreas diversificadas tiveram perdas 20% menores do que as de monocultura.
Os dados foram coletados em parceria com cooperativas e empresas do setor, que forneceram informações detalhadas sobre custos, produtividade e condições climáticas. A Agroicone, responsável pela análise, é uma consultoria especializada em agronegócio e sustentabilidade, reconhecida por estudos que aliam tecnologia e dados para orientar políticas públicas e decisões privadas. A pesquisa será apresentada em eventos do setor nos próximos meses, com foco em disseminar a prática entre pequenos e grandes produtores.
O estudo chega em um momento em que o Brasil busca alternativas para manter a competitividade no mercado global de grãos, sem expandir a fronteira agrícola. A Embrapa, que acompanhou a elaboração do trabalho, já sinalizou interesse em replicar a metodologia em outras culturas, como algodão e feijão, para avaliar os mesmos benefícios. Enquanto isso, a Agroicone já planeja estender a análise para mais cinco safras, a fim de confirmar se os ganhos se mantêm em longo prazo.