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Influenciadores transformam uso de anabolizantes em espetáculo nas redes

Aplicações de hormônios diante das câmeras viram entretenimento enquanto mercado de esteroides cresce

📝 Redação CCN02 de junho de 2026 às 10:29👁 1 leituras
Influenciadores transformam uso de anabolizantes em espetáculo nas redes

Influenciadores digitais estão transformando o uso de anabolizantes em conteúdo de entretenimento nas redes sociais, exibindo injeções de hormônios, ciclos de medicamentos e transformações físicas para milhões de seguidores. O fenômeno saiu dos bastidores das academias e se consolidou como estratégia de engajamento em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.

O programa Fantástico exibiu no domingo (31) uma reportagem mostrando como essa prática ganhou proporções gigantescas. Influenciadores documentam em tempo real suas aplicações intramuscular, detalham protocolos de uso e compartilham resultados estéticos com audiências que crescem exponencialmente. O que antes era tabu ou praticado em segredo virou conteúdo aspiracional.

Esse boom acontece simultaneamente com a expansão do mercado de hormônios anabolizantes. Quanto maior a demanda por corpos hipertrofiados — alimentada justamente por essas transmissões — mais cresce o comércio ilegal e legal de esteroides. Academias, clínicas duvidosas e plataformas online lucram alto com quem quer replicar as transformações que vê nas telas.

Para o tocantinense que segue essas influências, a realidade é preocupante. O estado tem registrado crescimento no consumo de anabolizantes entre jovens, especialmente em Palmas, onde academias de alto padrão atraem clientela com poder de compra. Quando um influenciador com 500 mil seguidores mostra o resultado de um ciclo de hormônios em 12 semanas, a impressão que fica é de que aquilo é seguro e alcançável para qualquer um.

As consequências são imediatas. Dermatologistas, cardiologistas e endocrinologistas relatam aumento de pacientes com efeitos colaterais graves: acne severa, inflamação hepática, disfunção sexual, pressão arterial descontrolada e problemas psicológicos como agressividade e depressão. Muitos usuários são adolescentes cujos organismos ainda estão em desenvolvimento.

O dano emocional também é real. Pessoas comuns consomem esses conteúdos e desenvolvem expectativas irreais sobre seus próprios corpos. Aquele influenciador que aparece musculoso não menciona que treina 4 horas por dia, tem nutricionista, personal trainer, acesso a medicamentos de qualidade farmacêutica — e ainda assim coloca em risco sua saúde. A conta não fecha para 99% das pessoas que tentam replicar.

O mercado ilegal prospera nesse vácuo. Traficantes vendem esteroides falsificados ou de procedência duvidosa para quem quer entrar nessa onda. Infecções por materiais contaminados, abscessos e até sepse já foram registrados em consumidores de hormônios clandestinos.

As redes sociais, enquanto isso, lucram com publicidade e monetização de vídeos que promovem uso de anabolizantes. Plataformas conseguem se isentar dizendo que apenas removem conteúdo explicitamente ilegal — mas as postagens que glorificam o uso continuam visíveis, gerando receita.

O desafio para autoridades de saúde é imediato. Vigilância sanitária, polícia federal e órgãos de defesa do consumidor precisam atuar em três frentes: investigar o comércio ilegal de hormônios, responsabilizar plataformas digitais por conteúdo que incentiva uso de drogas, e educar o público sobre riscos reais.

Mas enquanto isso não acontece em larga escala, o show continua. Influenciadores ganham dinheiro com visualizações, laboratórios ilegais crescem em faturamento, e adolescentes inserem agulhas em seus corpos para ficar como quem veem na tela. O preço dessa transformação estética pode ser muito mais alto do que qualquer ciclo de hormônio. Pode ser a saúde de uma geração.