Coreia do Sul eleva estimativa de arsenal nuclear da Coreia do Norte
Ministro sul-coreano aponta entre 80 e 120 ogivas, superando cálculo anterior de Trump

O governo da Coreia do Sul reviu para cima a quantidade de armas nucleares que a Coreia do Norte possuiria atualmente, estimando entre 80 e 120 ogivas. A nova projeção, apresentada pelo ministro da Defesa sul-coreano, supera a estimativa anterior de 57 ogivas, divulgada em 2017 pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A diferença reforça a percepção de que Pyongyang ampliou sua capacidade nuclear nos últimos anos, mesmo sem confirmação oficial por parte do regime norte-coreano.
A revisão da estimativa sul-coreana reflete não apenas um aumento quantitativo, mas também uma mudança na estratégia de avaliação. Enquanto a Casa Branca, na gestão Trump, calculava o arsenal com base em dados limitados e projeções indiretas, Seul passou a incorporar informações de inteligência mais recentes, incluindo satélites e interceptações de comunicações. O ministro sul-coreano não detalhou os métodos usados, mas afirmou que a nova faixa considera a produção acelerada de plutônio e urânio enriquecido nos últimos anos, além da expansão de instalações subterrâneas.
A Coreia do Norte mantém seu programa nuclear como um pilar de sua política de segurança, justificando o desenvolvimento de ogivas como resposta à ameaça externa. Desde 2006, o regime realizou seis testes nucleares, o mais recente em 2017, quando afirmou ter testado uma bomba de hidrogênio. A comunidade internacional, incluindo a ONU, impôs sanções ao país por violar resoluções que proíbem testes nucleares e de mísseis, mas Pyongyang continuou a expandir seu programa, alegando necessidade de autodefesa.
A diferença entre as estimativas — 57 ogivas em 2017 e até 120 agora — não é apenas um número. Ela sugere que a Coreia do Norte pode ter produzido mais material físsil do que se acreditava, ou que sua capacidade de enriquecimento avançou mais rapidamente do que o esperado. Especialistas em não proliferação nuclear, que não participaram da avaliação sul-coreana, alertam que a falta de transparência do regime norte-coreano torna qualquer cálculo impreciso. Ainda assim, a nova estimativa reforça a urgência de negociações diplomáticas, já que um arsenal maior amplia o risco de proliferação ou de um eventual uso de armas nucleares em um conflito.
A revelação chega em um momento de tensão na península coreana. Nos últimos meses, a Coreia do Norte realizou testes de mísseis balísticos, incluindo modelos capazes de atingir territórios dos Estados Unidos, e ameaçou retaliar contra exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e Estados Unidos. A possibilidade de um novo teste nuclear não pode ser descartada, especialmente após o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter afirmado recentemente que o país está preparado para responder a qualquer provocação.
Para a Coreia do Sul, a nova estimativa tem implicações diretas na defesa nacional. O país já anunciou planos para modernizar seu arsenal convencional e desenvolver sistemas de mísseis de longo alcance, em resposta ao avanço nuclear norte-coreano. Além disso, Seul tem buscado fortalecer sua aliança com Washington, incluindo a instalação de um sistema de defesa antimísseis, o que já gerou críticas da China e da Rússia, que veem a medida como uma ameaça regional.
A comunidade internacional, por sua vez, enfrenta um dilema: como lidar com um país que ignora sanções e segue expandindo seu programa nuclear sem perspectivas de negociação. A Coreia do Norte já declarou que não abrirá mão de suas armas nucleares, condicionando qualquer acordo à remoção das sanções e ao fim das hostilidades com os EUA. Enquanto isso, a nova estimativa sul-coreana deve intensificar os debates sobre a eficácia das sanções e a necessidade de uma abordagem mais flexível, ainda que muitos países resistam a qualquer concessão que possa ser interpretada como recompensa ao regime de Pyongyang.
O próximo passo será a apresentação formal da nova estimativa em fóruns internacionais, como a Assembleia Geral da ONU, onde a Coreia do Sul poderá pressionar por novas sanções ou pela retomada de diálogos. No entanto, a história recente mostra que Pyongyang raramente cede a pressões externas, e a escalada militar continua a ser a principal estratégia do regime. Enquanto isso, a população sul-coreana, que vive sob a sombra de um eventual conflito, acompanha com apreensão os desdobramentos de um programa nuclear que parece cada vez mais fora de controle.