Serviços em Palmas e TO mostram queda, mas seguem acima de 2019
IBGE aponta recuo em dois grupos de atividades entre abril e maio no Tocantins

O setor de serviços em Palmas e no Tocantins registrou queda em maio, mas ainda mantém números acima dos patamares pré-pandemia. Segundo dados do IBGE divulgados nesta semana, dois dos cinco grupos de atividades pesquisados apresentaram retração na comparação com abril. A notícia chega em um momento em que comerciantes e prestadores de serviços da capital e do interior do estado avaliam os impactos da sazonalidade e da inflação nos negócios.
A queda não surpreende quem acompanha de perto o movimento nas ruas de Palmas. O setor de serviços, que inclui desde salões de beleza até oficinas mecânicas, vinha de um abril aquecido pela volta das aulas e pela preparação para o aniversário da cidade, comemorado no dia 20. No entanto, maio trouxe um respiro menor para muitos empreendedores. Entre os grupos que recuaram estão os serviços prestados às famílias e os serviços de alojamento e alimentação, segundo o IBGE. A retração nesses segmentos reflete, em parte, a redução no poder de compra da população, que sente no bolso o peso dos preços mais altos em itens básicos como alimentação e combustível.
Para quem depende do comércio local, a notícia chega em um momento delicado. Em bairros como o Centro, a 108 Sul e a 304 Norte, donos de pequenos negócios relatam que a clientela tem reduzido as compras de itens não essenciais. "Antes, a fila para almoçar no restaurante era grande, agora tem dia que fica vazia", conta Maria Silva, dona de um estabelecimento na 108 Sul. A situação é semelhante em Araguaína, onde o setor de serviços também sentiu o baque. Lá, a queda nos serviços de alojamento e alimentação foi mais acentuada, segundo o IBGE, o que pode estar ligado à redução no fluxo de turistas e viajantes a trabalho.
Os números do IBGE mostram que, apesar da queda mensal, o setor de serviços no Tocantins ainda está 12% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. Isso significa que, mesmo com as oscilações, o setor segue em recuperação, embora em ritmo mais lento. Em Palmas, a prefeitura tem buscado formas de incentivar o comércio local, como a isenção de IPTU para microempreendedores individuais em 2024. No entanto, a inflação e a insegurança quanto ao futuro da economia ainda pesam sobre os planos de crescimento.
A expectativa agora é de que junho traga um novo fôlego para o setor, com a chegada do meio do ano e o aumento das vendas em datas comemorativas. Mas, para muitos, a recuperação total ainda parece distante. "A gente precisa de mais clientes, mas o dinheiro está curto", resume João Pereira, dono de uma oficina mecânica na 302 Norte. Enquanto o setor não dá sinais claros de retomada, a população segue adaptando seus hábitos de consumo, na esperança de que os números voltem a subir nos próximos meses.
O IBGE deve divulgar novos dados sobre o setor de serviços no próximo mês, o que poderá indicar se a queda de maio foi apenas um ajuste sazonal ou o início de uma tendência mais preocupante.