AO VIVO
Tocantins

Indústria local teme retaliação dos EUA e cobra mais crédito

Abimaq pede ao governo Lula ampliação de linhas de financiamento para máquinas em reunião com Alckmin e ministros

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 10:07👁 1 leituras
Indústria local teme retaliação dos EUA e cobra mais crédito

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) foi às pressas a Brasília para tentar evitar que a guerra comercial com os Estados Unidos afete ainda mais o setor. Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Fazenda) e Dario Durigan (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), os empresários defenderam que o governo brasileiro não adote medidas de reciprocidade tarifária contra produtos americanos. A proposta, que prevê taxar em 25% as importações dos EUA como resposta à sobretaxa de 25% imposta pelo governo de Joe Biden sobre aço, alumínio e outros produtos brasileiros, foi vista como um tiro no pé pela entidade.

O receio não é exagero. O setor de máquinas e equipamentos do Tocantins, que responde por cerca de 3% do PIB industrial do estado, já sente o baque. Empresas de Gurupi, Porto Nacional e Palmas, que dependem de insumos e tecnologia importada dos EUA para manter a produção, veem os custos subirem enquanto a demanda interna não acompanha. "A gente já tem dificuldade para vender, e agora ainda vai pagar mais caro para importar peças e componentes", reclama João Carlos Oliveira, dono de uma metalúrgica em Gurupi que emprega 45 funcionários. Segundo ele, a tarifa americana já encareceu em 15% o preço de motores elétricos usados em colheitadeiras, um dos principais produtos da região.

A Abimaq não está sozinha nessa briga. A Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto) já se manifestou publicamente contra a medida retaliatória. "O governo precisa entender que a indústria tocantinense não vive de protecionismo, mas de competitividade. Se a gente fechar as portas para os EUA, quem vai sofrer é o produtor rural, que depende de máquinas modernas para aumentar a produtividade", argumenta o presidente da Fieto, Paulo Carneiro. Ele lembra que o Tocantins é o quarto maior produtor de grãos do país e que a mecanização agrícola é vital para a economia local.

Os números mostram por que a discussão é urgente. A Abimaq representa 8 mil empresas no Brasil, responsáveis por 200 mil empregos diretos e um faturamento anual de R$ 160 bilhões. No Tocantins, são cerca de 120 indústrias do setor, que faturam R$ 1,2 bilhão por ano e empregam 3,5 mil pessoas. A entidade calcula que, se a tarifa retaliatória for implementada, o prejuízo pode chegar a R$ 500 milhões só para o estado, com queda de 10% na produção e demissões em massa.

Na reunião em Brasília, os empresários não pediram apenas que o governo desista da reciprocidade tarifária. Eles também cobraram a ampliação de linhas de crédito para a modernização das fábricas, especialmente para a compra de máquinas nacionais. "A gente precisa de financiamento barato para não depender tanto das importações", explicou o diretor da Abimaq, José Velloso. Segundo ele, o BNDES já tem programas para o setor, mas as taxas de juros estão altas e os prazos, curtos. "No Tocantins, a maioria das empresas é de pequeno e médio porte. Sem crédito, a gente não consegue inovar nem competir."

O governo Lula ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema, mas o ministro Dario Durigan deixou claro que a prioridade é evitar prejuízos maiores. "Vamos analisar todas as alternativas para proteger a indústria nacional sem prejudicar ainda mais o setor", afirmou. Enquanto isso, no Palácio do Planalto, a equipe econômica estuda medidas para compensar os impactos da tarifa americana, como a redução de impostos sobre insumos industriais e a aceleração de obras de infraestrutura que possam aquecer a demanda por máquinas.

Para o empresário João Carlos Oliveira, de Gurupi, o tempo é curto. "Se a coisa apertar, a gente vai ter que demitir. E aí, quem vai sustentar essas famílias?" A pergunta ecoa não só em Gurupi, mas em todo o estado, onde a indústria de máquinas e equipamentos é um dos poucos setores que ainda resistem à crise econômica. Enquanto Brasília decide o que fazer, as fábricas tocantinenses seguem operando no limite, torcendo para que a guerra comercial não vire uma guerra contra os empregos daqui.

A expectativa agora é que o governo federal anuncie nas próximas semanas um pacote de medidas para o setor. A Abimaq já avisou que, se a reciprocidade tarifária for mantida, vai acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os EUA. Enquanto isso, no Tocantins, os empresários se organizam para pressionar os deputados federais tocantinenses na Câmara, na esperança de que a voz do estado seja ouvida antes que o prejuízo se torne irreversível.