Polícia Civil do TO enfrenta falta de 1,4 mil policiais até 2026
Sem concurso desde 2020, déficit de servidores pode atrapalhar segurança em todo o Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins corre o risco de ficar com 1.400 cargos vagos até 2026 se não houver um novo concurso público. Desde 2020, quando foi realizado o último processo seletivo para a corporação, o estado não renova o quadro de servidores, o que já afeta a rotina de delegacias em cidades como Araguaína, Gurupi e até mesmo em Palmas.
O problema não é novo, mas ganha contornos mais graves a cada ano. Levantamento da Qconcursos, em parceria com a Folha Dirigida, aponta que o déficit atual já beira os 800 policiais civis, número que deve dobrar em dois anos se a situação não mudar. Em Araguaína, por exemplo, uma das maiores cidades do estado, a 1ª Delegacia Regional enfrenta filas constantes de atendimento porque faltam agentes para dar conta da demanda. Em Gurupi, o cenário é semelhante: delegacias funcionam com equipes reduzidas, o que atrasa investigações e deixa a população esperando por respostas.
A falta de concurso não é exclusividade do Tocantins, mas aqui o impacto é sentido no dia a dia. Em Palmas, a 1ª Delegacia de Polícia Civil, localizada no Setor Sul, já registra casos de policiais sobrecarregados, trabalhando em plantões duplos para cobrir folgas. A situação afeta diretamente a população, que depende de uma polícia ágil para resolver ocorrências, especialmente em bairros como o Jardim Aureny III e o Taquaralto, onde a criminalidade tem crescido nos últimos meses.
O último concurso para a Polícia Civil do Tocantins foi em 2020, quando foram abertas 300 vagas. Desde então, nenhum edital foi publicado, e os servidores ativos se aposentam ou pedem transferência sem que haja reposição. Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-TO), o número de policiais civis por habitante no Tocantins é um dos menores do país, ficando atrás até mesmo de estados vizinhos como Goiás e Mato Grosso. Em 2023, a média era de 1 policial para cada 1.200 moradores, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda 1 policial para cada 250 habitantes.
A situação preocupa não só os servidores, mas também a população. Em Araguaína, o delegado titular da 1ª Delegacia Regional, que preferiu não se identificar, admitiu que o quadro atual prejudica o trabalho. "Sem concurso, a gente vai perdendo força. As investigações demoram, os inquéritos se acumulam e a população sofre", declarou. Em Palmas, a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Tocantins (Adepol-TO) já cobrou publicamente a abertura de um novo concurso, mas até agora não houve resposta concreta do governo estadual.
O governador Wanderlei Barbosa (PSD) tem dito em entrevistas que a segurança é prioridade, mas a falta de concurso para a Polícia Civil contrasta com outras ações recentes, como a contratação de empresas de segurança privada para reforçar o policiamento ostensivo. Enquanto isso, a população segue esperando por soluções. Em Gurupi, moradores relatam que delegacias fecham mais cedo por falta de pessoal, e casos de furto e roubo demoram a ser registrados.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-TO) informou que estuda a possibilidade de realizar um novo concurso, mas não há previsão de quando o edital será publicado. Enquanto isso, a Polícia Civil do Tocantins segue operando com um quadro cada vez mais encolhido, o que pode piorar a sensação de insegurança em todo o estado.
A situação coloca em xeque não só a eficiência da polícia, mas também a credibilidade das instituições. Se até 2026 o déficit chegar a 1.400 cargos, como alertam os especialistas, o Tocantins pode enfrentar um colapso na segurança pública, com delegacias sobrecarregadas e investigações paralisadas. Enquanto o governo não toma uma decisão, a população segue na expectativa, torcendo para que a falta de policiais não se transforme em uma crise ainda maior.
A próxima reunião da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Tocantins está marcada para o dia 15 de outubro, quando o tema deve ser discutido com mais profundidade. Até lá, a pressão sobre o governo estadual só tende a aumentar.