São Paulo esconde sua verdadeira taxa de homicídios, revela novo estudo
Atlas da Violência 2024 mostra que assassinatos ocultos em SP quase dobram os números oficiais divulgados pelo estado.

Um novo relatório acaba de colocar em xeque o que sabemos sobre a violência em São Paulo. Enquanto o estado paulista se apresenta como uma das regiões mais seguras do Brasil, com uma taxa de 6,6 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2024, a realidade por trás dos números oficiais é bem diferente. O Atlas da Violência revelou que quando se considera as mortes violentas classificadas como de causa indeterminada — aquelas que provavelmente foram homicídios, mas ficaram registradas de forma vaga — o índice quase dobra.
Para quem vive no Tocantins e acompanha as notícias sobre segurança no Brasil, esse achado é particularmente importante. Enquanto São Paulo exibe uma taxa de 6,6 assassinatos por 100 mil habitantes, o país registra uma média de 20,1. À primeira vista, parece que o estado paulista está fazendo um excelente trabalho na redução da violência. No entanto, o Atlas da Violência nos mostra que essa aparência de segurança pode estar enganando a população.
O grande problema está naquelas mortes que caem nas estatísticas como "causa indeterminada". São casos em que as circunstâncias do óbito apontam para um homicídio, mas o registro oficial não confirma isso de forma clara. Quando esses números são incluídos na conta, a taxa de assassinatos em São Paulo cresce significativamente. Isso não significa que os números oficiais estejam errados propositalmente, mas revela uma falha importante na forma como registramos e contabilizamos a violência no Brasil.
Esse tipo de descoberta tem implicações sérias para qualquer estado do país, inclusive para o Tocantins. Quando não sabemos com precisão quantas pessoas estão realmente morrendo por violência, fica muito mais difícil criar políticas públicas efetivas. Gestores não conseguem direcionar recursos para os lugares certos, e a população não tem uma visão clara do tamanho real do problema. É por isso que relatórios como o Atlas da Violência são tão importantes: eles nos obrigam a olhar além dos números bonitos.
O achado sobre São Paulo serve como um alerta para todo o Brasil. Se até um estado que consegue manter taxas oficiais tão baixas quanto 6,6 homicídios por 100 mil habitantes está escondendo a verdadeira dimensão da sua violência, é provável que outros estados estejam enfrentando o mesmo problema. A questão agora é: como vamos melhorar a forma como registramos essas mortes? E o que fazer com esses "homicídios ocultos" que estão sendo contabilizados de forma errada nas estatísticas oficiais?