AO VIVO
Brasil

Trigo francês tem safra menor e afeta preços globais em 2026

Colheita de trigo soft na França deve cair 4% por ondas de calor na Europa, com reflexos no mercado de grãos e na cesta básica

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 17:15👁 6 leituras
Trigo francês tem safra menor e afeta preços globais em 2026

A safra de trigo *soft* na França, principal produtor europeu do grão, deve encolher 4% em 2026. O alerta vem de um relatório da *Forbes Brasil* que aponta as ondas de calor registradas no final do ciclo de cultivo como responsáveis pela queda na produção. A notícia acende um sinal amarelo no mercado global de grãos, já pressionado por instabilidades climáticas recorrentes.

As lavouras de trigo e cevada na Europa enfrentaram temperaturas acima da média nas últimas semanas de desenvolvimento das plantas. Segundo o texto, o clima extremo prejudicou a qualidade e a quantidade do grão produzido, especialmente na França, onde o trigo *soft* — usado na fabricação de pães, massas e biscoitos — é um dos principais cultivos. A redução na oferta pode elevar os preços dos derivados no mercado internacional, afetando diretamente a cadeia de alimentos.

Para o Brasil, que importa parte do trigo consumido, a notícia tem peso. O país é um dos maiores compradores globais do grão, e qualquer variação nos preços ou na disponibilidade afeta a inflação dos alimentos. Em 2023, por exemplo, o Brasil importou cerca de 6,5 milhões de toneladas de trigo, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se a safra francesa não atingir as expectativas, a pressão sobre os estoques globais pode se intensificar, com reflexos nos preços do pão francês, da farinha de trigo e até de produtos industrializados que dependem do grão.

O relatório da *Forbes Brasil* não detalha os números exatos da queda na produção francesa, mas destaca que a redução de 4% na safra de trigo *soft* já é suficiente para acender o alerta nos mercados. A Europa, tradicionalmente um dos maiores exportadores de trigo, vem sofrendo com eventos climáticos cada vez mais frequentes. Em 2022, uma seca severa na região reduziu a produção em cerca de 10%, e os agricultores ainda não se recuperaram completamente.

A notícia chega em um momento delicado para a agricultura global. Além da França, outros países europeus como Alemanha e Polônia também registraram perdas significativas em suas lavouras devido ao clima. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já havia alertado, em relatório de 2024, que as mudanças climáticas estão reduzindo a produtividade dos cereais em até 30% em algumas regiões.

No Brasil, a dependência da importação de trigo coloca o país em uma posição vulnerável. A maior parte do grão consumido vem do Mercosul, especialmente da Argentina e do Paraguai, mas a Europa ainda é uma fonte alternativa em momentos de escassez. Se a safra francesa não se recuperar, os preços internos podem subir, pressionando ainda mais a inflação, que já acumula alta de 4,5% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

Os próximos meses serão decisivos para avaliar o impacto real da queda na safra francesa. Os agricultores europeus já começaram a ajustar suas estratégias, como o plantio de variedades mais resistentes ao calor, mas os resultados só serão vistos na próxima colheita. Enquanto isso, os mercados globais de grãos permanecem em alerta, com traders monitorando de perto os estoques e os preços futuros.

A situação reforça a necessidade de o Brasil diversificar suas fontes de importação e investir em pesquisas para aumentar a produtividade de cereais no território nacional. A Embrapa, por exemplo, tem desenvolvido variedades de trigo adaptadas ao clima tropical, mas a transição para uma produção local em larga escala ainda depende de políticas públicas e incentivos financeiros.

O que fica claro é que, em um setor tão sensível quanto o de grãos, a instabilidade climática não é mais uma previsão distante — é uma realidade que já cobra seu preço. E o consumidor, seja no Tocantins ou em qualquer outro canto do país, sentirá o reflexo no bolso.