Clima chuvoso afeta qualidade do café, mas produção sobe em 2026/27
Hedgepoint projeta 75,8 milhões de sacas para a safra brasileira, mas alerta para perdas na qualidade devido às chuvas na colheita

A safra de café no Brasil deve atingir 75,8 milhões de sacas na temporada 2026/27, segundo projeção da Hedgepoint. O volume representa um crescimento em relação aos anos anteriores, mas o clima chuvoso durante a colheita acendeu um sinal amarelo: a qualidade do grão pode não acompanhar o aumento da quantidade.
O café é um dos principais produtos agrícolas do Brasil, e as projeções da Hedgepoint, consultoria especializada no setor, indicam que a produção nacional deve se manter em alta. No entanto, as chuvas frequentes durante o período de colheita — que já começaram em algumas regiões — podem prejudicar a qualidade dos grãos. A umidade excessiva favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas, como a ferrugem do cafeeiro, e pode comprometer o sabor e a classificação do produto final.
Para o Tocantins, onde a cafeicultura tem ganhado espaço em municípios como Dianópolis, Almas e Paranã, a notícia traz tanto boas quanto más perspectivas. A alta na produção nacional pode influenciar os preços no mercado interno, beneficiando produtores locais que conseguirem escoar sua safra com qualidade. Por outro lado, a dependência do clima para a colheita exige atenção redobrada dos agricultores, que precisam investir em técnicas de manejo para minimizar os danos causados pelas chuvas.
A Hedgepoint estima que a quantidade total de sacas não será drasticamente afetada, mas a qualidade pode sofrer queda. Em 2025, o Brasil já enfrentou desafios semelhantes, com relatos de perdas em lavouras de Minas Gerais e São Paulo, estados que concentram a maior parte da produção nacional. No Tocantins, a cafeicultura ainda é incipiente se comparada a essas regiões, mas o crescimento do setor nos últimos anos tem atraído novos investimentos e ampliado a área plantada.
Os produtores tocantinenses precisam se preparar para possíveis impactos. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Tocantins (Emater-TO) já orienta os cafeicultores sobre práticas como o uso de fungicidas preventivos e a colheita em períodos secos, quando possível. Além disso, a cooperativas locais, como a Cooperativa Agropecuária do Tocantins (Cooperat), têm oferecido suporte técnico para ajudar os agricultores a enfrentar os desafios climáticos.
A expectativa é que a safra 2026/27 seja comercializada a preços competitivos, mas a qualidade será o grande diferencial. Produtores que conseguirem manter padrões elevados de secagem e armazenamento dos grãos podem se destacar no mercado, enquanto aqueles que não se adaptarem às condições climáticas podem enfrentar prejuízos. A Hedgepoint não descarta revisões nas projeções caso o clima continue instável nos próximos meses.
No Tocantins, a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro) monitora o cenário e deve divulgar um plano de ação para apoiar os cafeicultores. A pasta já sinalizou que pode ampliar linhas de crédito para custeio e investimento, além de oferecer capacitações sobre manejo integrado de pragas e doenças. A ideia é garantir que a produção local não só cresça em volume, mas também em qualidade.
A próxima colheita ainda está a alguns meses de distância, mas o alerta da Hedgepoint serve como um lembrete para que os produtores não descuidem dos detalhes. Afinal, no campo, cada detalhe faz diferença — e o clima, que já foi um aliado, agora se tornou um desafio a ser superado.
A Hedgepoint deve atualizar suas projeções nos próximos meses, à medida que novas informações sobre o clima e o desenvolvimento das lavouras forem coletadas. Enquanto isso, os cafeicultores do Tocantins e do Brasil inteiro seguem na expectativa, torcendo para que as chuvas não atrapalhem o que promete ser uma safra promissora, mas com qualidade em jogo.