Ronaldo Dimas quer malha aérea forte para o Tocantins
Pré-candidato ao Senado propõe política para integrar voos regionais e facilitar deslocamentos no estado

O pré-candidato ao Senado Ronaldo Dimas (PL) apresentou uma proposta para fortalecer a aviação regional no Tocantins. A ideia é criar uma política pública que una os aeroportos do estado, facilitando viagens entre cidades tocantinenses e atraindo mais investimentos. O anúncio foi feito durante evento em Palmas, na última semana, e deve ganhar força na campanha eleitoral.
A proposta de Dimas não é nova, mas ganha relevância em um momento em que o Tocantins tenta se posicionar como polo logístico e de negócios no Norte do país. Atualmente, as conexões aéreas entre municípios como Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Dianópolis dependem de voos esporádicos ou de escalas em Brasília ou Goiânia. Com a integração da malha aérea, o pré-candidato argumenta que o estado poderia reduzir custos para empresas, ampliar o turismo e até melhorar o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, em regiões mais distantes.
Para quem vive fora de Palmas, a falta de voos diretos é um problema cotidiano. Um produtor rural de Gurupi que precisa ir a uma reunião em Araguaína, por exemplo, muitas vezes gasta mais tempo e dinheiro em deslocamentos terrestres do que em uma viagem aérea direta. A mesma situação afeta comerciantes, estudantes e profissionais que dependem de conexões rápidas para fechar negócios ou estudar. Dimas citou casos como o de Porto Nacional, cidade com potencial turístico e histórico, mas que ainda sofre com a ausência de voos regulares para outras regiões do estado.
Segundo o pré-candidato, a política de integração aérea não exigiria grandes investimentos iniciais. A ideia é articular parcerias entre o governo estadual, a Infraero e empresas aéreas regionais para criar rotas viáveis economicamente. "Não adianta termos aeroportos modernos se não há voos que conectem nossas cidades", afirmou Dimas durante o evento. Ele também destacou que o Tocantins tem potencial para se tornar um hub de cargas e passageiros, aproveitando sua posição geográfica estratégica entre o Norte e o Centro-Oeste.
A proposta chega em um momento em que o estado discute a modernização de seus aeroportos. O Aeroporto de Palmas, por exemplo, passou por reformas recentes para ampliar sua capacidade, mas ainda depende de voos para Brasília e São Paulo. Em Araguaína, o terminal regional recebeu investimentos para melhorar a infraestrutura, mas a falta de rotas frequentes limita seu uso. Para especialistas em logística ouvidos pela *Capital da Notícia*, a integração aérea poderia reduzir a dependência do transporte rodoviário, que é caro e lento em um estado com dimensões continentais como o Tocantins.
O pré-candidato ao Senado não detalhou como seria financiada a política, mas sugeriu que o estado poderia usar recursos do Fundo de Desenvolvimento do Tocantins (FDT) ou buscar parcerias com o governo federal. A proposta também inclui a criação de um conselho gestor para acompanhar as rotas e ajustar a oferta conforme a demanda. "Não é só sobre voos, é sobre conectar pessoas e oportunidades", disse Dimas.
A discussão sobre aviação regional no Tocantins não é exclusividade de Dimas. Em 2022, a deputada estadual Luana Ribeiro (PSDB) apresentou projeto de lei para incentivar voos regionais, mas a proposta não avançou. Agora, com a campanha eleitoral em andamento, a pauta pode ganhar novo fôlego. O que está em jogo é a capacidade do Tocantins de se tornar mais competitivo, sem depender exclusivamente de Brasília ou Goiânia para se conectar ao resto do país.
O próximo passo da proposta de Dimas deve ser apresentar um projeto formal na Assembleia Legislativa ou no Congresso, caso ele seja eleito senador. Enquanto isso, moradores de cidades como Gurupi, Porto Nacional e Dianópolis seguem na expectativa de ver se a promessa de voos mais acessíveis vai virar realidade. Para eles, a falta de conexões aéreas não é apenas um problema de mobilidade, mas uma barreira ao desenvolvimento local.