Rituais religiosos aliviam dor e unem grupos no cérebro
Pesquisa internacional mostra como crenças coletivas liberam substâncias que reduzem sofrimento físico e fortalecem laços sociais

Um estudo feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido revelou que participar de rituais religiosos em grupo pode ser mais do que um ato de fé: é um mecanismo cerebral que ajuda a lidar com a dor e aproxima as pessoas. A pesquisa, publicada na revista *Proceedings of the Royal Society B*, analisou como essas práticas coletivas ativam áreas do cérebro que liberam substâncias capazes de aumentar a tolerância ao sofrimento físico e reforçar os vínculos entre os participantes.
O trabalho não se limitou a observar o comportamento das pessoas durante os rituais. Os pesquisadores usaram exames de imagem cerebral para identificar a liberação de neurotransmissores como endorfinas e dopamina, que são responsáveis por sensações de prazer e bem-estar. Segundo o estudo, quando um grupo se reúne para uma cerimônia religiosa, a interação social e a crença compartilhada criam um ambiente onde a dor é percebida de forma menos intensa. Isso acontece porque o cérebro, diante de um contexto de confiança e união, reduz a resposta ao estímulo doloroso.
Os resultados chamam atenção porque mostram que a religião, quando praticada em comunidade, pode ter um efeito semelhante ao de alguns medicamentos analgésicos. Em um estado como o Tocantins, onde a fé é uma parte central da cultura local, essa descoberta ganha ainda mais relevância. Em cidades como Porto Nacional, Gurupi ou até mesmo em bairros de Palmas, onde as igrejas e terreiros são pontos de encontro frequentes, a pesquisa ajuda a entender por que muitas pessoas relatam alívio em momentos de sofrimento após participarem de rituais.
A pesquisa não foi feita com participantes tocantinenses, mas os dados podem ser aplicados em qualquer lugar onde a prática religiosa coletiva seja comum. O estudo foi conduzido com grupos de diferentes crenças, o que reforça a ideia de que o fenômeno não está ligado a uma religião específica, mas sim à experiência coletiva de fé. Os cientistas destacam que o efeito neuroquímico não é permanente, mas pode ser uma ferramenta poderosa em momentos de crise, como doenças ou perdas.
Para quem vive no Tocantins, onde a saúde pública enfrenta desafios como longas filas para atendimento e falta de medicamentos em algumas regiões, a descoberta pode abrir discussões sobre o papel das crenças no bem-estar da população. Em um estado com mais de 130 municípios, onde o acesso a serviços médicos é desigual, a religião muitas vezes preenche lacunas emocionais e até mesmo físicas. A pesquisa não propõe que rituais substituam tratamentos médicos, mas sugere que eles podem ser um complemento importante no cuidado com a saúde.
Os próximos passos dos pesquisadores envolvem investigar se esse efeito pode ser replicado em outros contextos sociais, como eventos esportivos ou culturais. Enquanto isso, a descoberta já serve como um lembrete de como a fé, quando vivida em comunidade, pode ser uma aliada no dia a dia das pessoas. No Tocantins, onde a vida comunitária é forte em cidades do interior e na capital, a notícia chega em um momento oportuno para refletir sobre o que une os moradores além das fronteiras políticas ou sociais.