Homem condenado a 16 anos por homicídio em bar de Palmas
Réu atirou contra vítima após discussão em 2018; decisão foi proferida pelo Fórum da Comarca de Palmas

Um homem de 32 anos foi condenado a 16 anos de prisão pelo assassinato de outro homem em um bar no Setor Sul de Palmas, em 2018. A decisão, proferida pelo Fórum da Comarca de Palmas, encerra um caso que chocou a cidade e levantou discussões sobre violência em ambientes de lazer.
O crime aconteceu na madrugada de 15 de junho de 2018, quando o réu, que já havia se desentendido com a vítima horas antes, retornou ao estabelecimento armado. Testemunhas relataram que a discussão inicial foi por motivos banais, mas que o clima esquentou rapidamente. O réu, então, sacou uma arma e efetuou três disparos contra o homem, que morreu no local. O caso foi investigado pela Polícia Civil de Palmas e encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que ofereceu denúncia contra o acusado.
A defesa do réu tentou alegar legítima defesa, mas o juiz da 1ª Vara Criminal de Palmas não acatou o argumento. Durante o julgamento, a promotoria apresentou provas como depoimentos de testemunhas e laudos periciais que confirmaram a intenção homicida do réu. A sentença, proferida na última sexta-feira, considerou o crime como doloso e aplicou a pena máxima prevista para homicídio simples, além de determinar o pagamento de indenização à família da vítima.
Para quem vive em Palmas, o caso reacende a discussão sobre a segurança em bares e estabelecimentos noturnos, especialmente nos bairros mais movimentados como o Setor Sul. Muitos moradores do entorno do local do crime ainda evitam frequentar o estabelecimento, que permanece aberto, mas com um clima de tensão. "A gente sabe que pode acontecer qualquer coisa em qualquer lugar, mas ver um crime assim tão perto de casa assusta", contou um morador do bairro que preferiu não se identificar.
A Polícia Civil de Palmas informou que mantém ações de fiscalização em bares e locais de grande circulação, mas admitiu que a prevenção de crimes como esse depende também da população. "A denúncia é fundamental. Muitas vezes, as pessoas presenciam situações de risco e não comunicam às autoridades", afirmou um delegado da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Palmas.
A família da vítima, que mora no Setor Jardim Aureny III, ainda aguarda a indenização determinada pela Justiça. "A gente só quer justiça. Não é só a prisão do assassino, é saber que ele vai pagar pelo que fez", disse um parente, que não quis ser identificado. O valor da indenização ainda não foi calculado, mas a defesa do réu já anunciou que irá recorrer da decisão.
O caso também trouxe à tona a discussão sobre o porte de armas em Palmas. Desde 2018, o número de registros de armas de fogo no estado aumentou, mas a fiscalização permanece um desafio para as autoridades. "A gente vê que a legislação é clara, mas a aplicação é que precisa melhorar", comentou um vereador de Palmas, que não quis ser nomeado.
Enquanto isso, o estabelecimento onde o crime ocorreu segue funcionando, mas com um movimento reduzido. Os donos do bar afirmaram que reforçaram a segurança no local, mas não quiseram dar declarações sobre o caso. A Justiça ainda não definiu data para o início do cumprimento da pena pelo condenado, que permanece preso desde o julgamento.