Canadá desafia Trump com retaliação comercial
Canadá reage a tarifas americanas com medidas retaliatórias; Irã também resiste à pressão dos EUA 2024

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viu sua estratégia de impor tarifas comerciais a aliados e adversários ser contestada pelo Canadá e pelo Irã. A resposta canadense, anunciada na semana passada, acendeu um sinal de alerta sobre os limites do poder de Washington em moldar as relações econômicas globais.
A decisão de Trump de elevar taxas sobre importações canadenses, sob o argumento de proteger a indústria local, não passou despercebida. Ottawa respondeu com uma lista de produtos americanos que sofrerão sobretaxas equivalentes, incluindo aço, alumínio e produtos agrícolas. A medida canadense não é apenas simbólica: afeta diretamente setores-chave da economia dos EUA, como a indústria automobilística e a de laticínios. Segundo dados do governo canadense, as exportações americanas para o país vizinho somam cerca de US$ 300 bilhões anualmente, o que torna a retaliação um golpe duro.
O Irã, por sua vez, também tem resistido às pressões comerciais dos EUA, mesmo após sanções severas impostas pela administração Trump. Teerã manteve suas exportações de petróleo para países como China e Síria, contornando embargos por meio de rotas alternativas. Enquanto Washington tenta isolar economicamente o regime iraniano, a estratégia tem encontrado brechas significativas. Analistas estimam que, desde 2020, o Irã conseguiu escoar cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, mantendo sua economia em funcionamento.
A guerra comercial entre EUA e Canadá não é nova. Em 2018, Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio canadenses, alegando segurança nacional. Ottawa respondeu com uma lista de 16 bilhões de dólares em produtos americanos taxados, incluindo ketchup, suco de laranja e whisky. Na época, o então primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, afirmou que as tarifas eram "injustificadas e inaceitáveis". Agora, com Trump de volta à Casa Branca, a tensão volta a escalar.
Para os Estados Unidos, as consequências são imediatas. Empresas americanas que dependem de exportações para o Canadá, como fabricantes de maquinário e componentes automotivos, já relatam queda nas vendas. No setor agrícola, produtores de soja e carne enfrentam barreiras no mercado canadense, onde a concorrência local é favorecida pelas tarifas. A Câmara de Comércio dos EUA calcula que as medidas retaliatórias canadenses podem custar até 10 bilhões de dólares anuais às empresas americanas.
No Irã, a resistência tem sido ainda mais complexa. Apesar das sanções, o país mantém acordos comerciais com nações que não aderiram às restrições americanas, como a Rússia e a Índia. O governo iraniano chegou a criar um sistema de trocas diretas, substituindo o dólar por moedas locais em transações com parceiros comerciais. "Nós não vamos ceder à pressão econômica", declarou recentemente o ministro iraniano do Petróleo, Javad Owji. A estratégia, embora arriscada, tem permitido ao Irã manter sua economia estável, mesmo com o cerco internacional.
O que está em jogo agora é a credibilidade da política comercial de Trump. Se aliados como o Canadá conseguem neutralizar suas medidas, o que dizer de adversários como o Irã? A resposta pode redefinir as regras do jogo econômico global nos próximos anos. Enquanto Washington insiste em sua abordagem agressiva, o mundo observa como outros países reagem — e quais serão os próximos passos.
As próximas semanas serão decisivas. O Canadá já sinalizou que pode ampliar suas retaliações se as tarifas americanas não forem revistas. No Irã, a expectativa é de que o governo continue buscando alternativas para driblar as sanções. Uma coisa é certa: a estratégia de Trump está sendo testada como nunca antes.