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Médicos são proibidos de usar PMMA em procedimentos estéticos

Resolução regulatória bane substância que causa desde alergias até necrose e morte em pacientes

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 11:52👁 1 leituras
Médicos são proibidos de usar PMMA em procedimentos estéticos

Uma resolução acaba de proibir o uso de PMMA (polimetilmetacrilato) em procedimentos estéticos realizados por médicos. A medida, que atinge consultórios e clínicas em todo o país, encerra anos de preocupação com os riscos graves associados à substância.

O PMMA é um polímero sintético que ganhou popularidade em procedimentos de preenchimento facial e corporal, especialmente porque era mais barato que alternativas como o ácido hialurônico. Médicos o aplicavam direto na pele de pacientes que buscavam eliminar rugas, aumentar lábios ou corrigir cicatrizes. A promessa era simples: resultados rápidos e acessíveis.

Mas os números de complicações cresceram. Médicos começaram a registrar casos alarmantes: alergias em cadeia, inchaços que não desapareciam, dor intensa crônica, manchas e deformações permanentes. Em situações mais graves, pacientes perderam partes do corpo. Havia relatos de queimaduras, sangramento excessivo, queloides, infecções generalizadas e até necrose dos tecidos.

Os danos não eram imediatos. Muitos pacientes só sentiam os problemas dias, semanas ou meses depois da aplicação. Quando procuravam médicos para reverter o quadro, frequentemente descobriam que os danos eram irreversíveis. Alguns casos terminaram em morte.

Tocantins, como grande parte do país, acompanhou a escalada de denúncias. Mulheres procurando procedimentos simples se viam diante de complicações que exigiam cirurgias corretivas, medicamentos de longo prazo e, em alguns casos, luto pelas sequelas permanentes. As clínicas de estética cresceram na região durante os últimos anos, e nem sempre o PMMA era apresentado com clareza sobre seus riscos reais.

O que levou à proibição foi justamente essa desproporção entre promessas e resultados. Órgãos reguladores como a Anvisa e conselhos de medicina passaram a receber alertas contínuos. Pacientes processavam clínicas. Médicos responsáveis denunciavam colegas que aplicavam a substância sem avisar adequadamente. A pressão acumulou.

A resolução é clara: PMMA não pode ser mais usado. Médicos que desobederem enfrentam processos éticos, multas e perda do direito de exercer a profissão. Clínicas que mantiverem o produto em estoque para esses fins correm riscos legais similares.

Para quem já recebeu PMMA, a notícia é amarga. Não existe remoção segura e completa da substância uma vez injetada. Alguns pacientes precisam conviver com os efeitos colaterais pelo resto da vida. Outros buscam procedimentos complementares que, por vezes, pioram o quadro.

Os impactos agora são duplos. Médicos precisam adaptar seus consultórios, descartando produtos caros que tinham em estoque. Pacientes que sofreram com as complicações ganham uma pequena vitória: a certeza de que ninguém mais passará pelo que passaram. E quem busca procedimentos estéticos agora terá opções mais seguras, ainda que mais caras.

A proibição marca um ponto para a regulação, mas deixa cicatrizes profundas em quem acreditou que um procedimento simples e barato era sinônimo de seguro.