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Brasil sai do Mapa da Fome pela primeira vez em décadas

ONU confirma redução de 16,7 milhões de pessoas em insegurança alimentar severa entre 2023 e 2025 no país

📝 Redação CCN21 de julho de 2026 às 17:56👁 1 leituras
Brasil sai do Mapa da Fome pela primeira vez em décadas

O Brasil deixou o Mapa da Fome da ONU pela primeira vez em mais de vinte anos. O anúncio veio com a divulgação do relatório global sobre segurança alimentar, que aponta uma queda histórica na insegurança alimentar severa no país: 16,7 milhões de brasileiros superaram essa condição entre 2023 e 2025. A notícia chega em um momento em que o Tocantins, assim como outras regiões do Norte e Nordeste, ainda luta contra desigualdades históricas que afetam o acesso à alimentação.

A conquista não é obra do acaso. Ela reflete políticas públicas implementadas nos últimos anos, como a retomada de programas sociais que haviam sido desmontados ou reduzidos em gestões anteriores. O Bolsa Família, por exemplo, voltou a ser uma das principais ferramentas de combate à fome, com repasses atualizados e ampliação do número de beneficiários. No Tocantins, municípios como Araguaína, Gurupi e Porto Nacional sentiram na prática os efeitos dessas mudanças. Em Araguaína, a prefeitura relatou queda nos índices de desnutrição infantil após a inclusão de mais famílias nos programas de transferência de renda. Em Gurupi, a Secretaria Municipal de Assistência Social identificou uma redução de 22% nos casos de insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024, graças à combinação de benefícios sociais e ações de agricultura familiar.

Para quem vive no interior do Tocantins, a notícia tem sabor de alívio. Em municípios como Dianópolis e Paranã, onde a seca e a falta de oportunidades costumam agravar a fome, moradores relatam mudanças concretas. "Antes, a gente tinha que escolher entre comprar comida ou remédio. Agora, com o auxílio, a gente consegue equilibrar as duas coisas", conta Maria das Dores, moradora de Paranã, que recebe o Bolsa Família há um ano. No entanto, especialistas alertam que a vitória não é definitiva. A fome ainda é uma realidade para milhões de brasileiros, e a manutenção dos programas sociais depende de decisões políticas futuras. No Tocantins, a preocupação agora é garantir que os benefícios cheguem a quem realmente precisa, sem burocracia excessiva ou cortes inesperados.

Os números do relatório da ONU são claros: em 2022, o Brasil tinha 33,1 milhões de pessoas em insegurança alimentar severa. Em 2025, esse número caiu para 16,4 milhões — uma redução de quase 50%. O dado coloca o país em uma posição inédita desde que a organização começou a monitorar a situação, em 2000. Para o governo federal, a conquista é um marco, mas também um alerta. "Não podemos comemorar como se o problema estivesse resolvido. A fome é um fantasma que volta se não houver políticas públicas consistentes", afirmou o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, em entrevista à imprensa nacional.

No Tocantins, a Secretaria Estadual de Cidadania e Justiça acompanha de perto os resultados. Segundo a coordenadora de Segurança Alimentar, Ana Cláudia Oliveira, o estado tem avançado, mas ainda enfrenta desafios. "A gente vê melhora, mas em municípios como Miracema do Tocantins e Colinas do Tocantins, a seca ainda é um problema sério. Precisamos de mais investimentos em irrigação e apoio à agricultura familiar", explica. A pasta também destaca a importância da articulação com os municípios, muitos dos quais dependem de recursos federais para manter programas locais de combate à fome.

A saída do Mapa da Fome não significa que o Brasil está livre do problema. Países como a Nigéria e o Iêmen ainda enfrentam crises humanitárias graves, e a própria ONU alerta que conflitos e mudanças climáticas podem reverter os avanços recentes. No Tocantins, a lição é clara: a fome não é um problema apenas de quem passa fome, mas de toda a sociedade. Enquanto o estado comemora os números, a pergunta que fica é: como garantir que essa conquista não seja passageira?

A próxima etapa, segundo analistas, deve ser a consolidação das políticas públicas. Para o Tocantins, isso significa não só manter os programas sociais, mas também investir em educação alimentar e geração de renda. Em Palmas, a prefeitura já anunciou a ampliação de hortas comunitárias em bairros como Taquaralto e Jardim Aureny, uma iniciativa que pode ajudar a reduzir ainda mais os índices de insegurança alimentar na capital. O desafio agora é transformar a redução dos números em uma mudança estrutural, que não dependa de governos ou crises para se sustentar.