Casamento vira negócio e cria rede de academias para idosos em Itabuna-BA
Marcos Jader e Marília Portugal usaram verba da festa para abrir três unidades em Itabuna e planejam expansão para outras cidades baianas

Em vez de gastar com bufê e decoração, um casal de Itabuna, no sul da Bahia, decidiu investir o dinheiro do próprio casamento em um projeto que hoje fatura R$ 2 milhões por ano. Marcos Jader, fisioterapeuta, e Marília Portugal, administradora, usaram a verba da festa para abrir três unidades de uma rede de academias voltadas exclusivamente para idosos. A primeira academia foi inaugurada em 2021, e desde então a empresa não parou de crescer.
A ideia surgiu quando o casal percebeu a falta de opções de atividades físicas adaptadas para a terceira idade na cidade. "A gente via muitos idosos com dificuldade para se locomover, com dores nas articulações, mas sem um lugar específico para fazer exercícios com segurança", conta Marcos. A decisão de usar o dinheiro do casamento — cerca de R$ 50 mil — foi tomada após meses de planejamento. "Não era um dinheiro que a gente ia jogar fora em uma festa. Queríamos algo que deixasse um legado", explica Marília. Os dois já tinham experiência no ramo: Marcos atuava como fisioterapeuta em clínicas de reabilitação, e Marília havia trabalhado em gestão de saúde.
As unidades da rede, batizada de "Vitalidade na Terceira Idade", funcionam em bairros de classe média de Itabuna, como o Centro e o bairro São Caetano. Cada academia conta com equipamentos adaptados, professores especializados em gerontologia e fisioterapeutas para acompanhar os alunos. Os preços dos planos variam entre R$ 120 e R$ 180 por mês, dependendo da unidade. Hoje, a rede atende cerca de 300 idosos por mês, com turmas divididas por faixa etária e nível de condicionamento físico. "A gente não vende só exercício, vende qualidade de vida", diz Marcos. A expansão já começou: em 2024, uma quarta unidade deve ser aberta em Ilhéus, a 70 km de Itabuna.
O sucesso chamou a atenção de investidores locais. Em 2023, a rede recebeu um aporte de R$ 800 mil de um grupo de empresários baianos, que enxergaram potencial no modelo. "Eles viram que a demanda por serviços para idosos só cresce, e a gente já tinha provado que o negócio funciona", conta Marília. Com o dinheiro, a empresa deve abrir mais duas unidades ainda este ano, uma em Itabuna e outra em Feira de Santana. A meta é chegar a dez unidades até 2026.
Para quem mora em Palmas ou no Tocantins, a história pode até parecer distante, mas ela traz um recado importante sobre oportunidades que muitas vezes passam despercebidas. Enquanto o estado enfrenta desafios como o envelhecimento da população — segundo o IBGE, o Tocantins tem uma das maiores taxas de crescimento da população idosa do Brasil — e a falta de políticas públicas específicas para essa faixa etária, projetos como esse mostram que é possível inovar mesmo com recursos limitados. "A gente não precisava esperar por um grande investimento do governo para começar. A gente usou o que tinha e fez acontecer", diz Marcos.
A rede já é referência em Itabuna e começa a ser citada em reportagens sobre envelhecimento ativo no Nordeste. Mas o casal não para por aí. Eles estão desenvolvendo um aplicativo para monitorar a saúde dos alunos à distância e planejam oferecer cursos de capacitação para profissionais que trabalham com idosos. "Nosso sonho é que esse modelo se espalhe pelo Brasil. A gente só começou com R$ 50 mil, e olha onde chegamos", comemora Marília.
Enquanto isso, em Palmas, onde a população idosa também cresce — segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, o número de pessoas com mais de 60 anos aumentou 25% nos últimos cinco anos —, a história serve de inspiração. Se um casal de Itabuna conseguiu transformar um casamento em um negócio de sucesso, por que não pensar em iniciativas semelhantes aqui? Afinal, o Tocantins tem potencial para abrigar projetos inovadores, desde que haja vontade e criatividade.
A próxima etapa da rede é buscar parcerias com prefeituras e secretarias de saúde para oferecer bolsas para idosos de baixa renda. "A gente sabe que nem todo mundo pode pagar, mas a saúde não tem preço", afirma Marcos. Com isso, a Vitalidade na Terceira Idade quer mostrar que é possível aliar lucro e responsabilidade social — e quem sabe, um dia, chegar a Palmas.