Thalita Tavares deixou legado no esporte tocantinense
Jornalista atuou em cobertura esportiva no Tocantins e será lembrada por seu trabalho pioneiro 1990-2024
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A jornalista Thalita Tavares, referência na cobertura esportiva do Tocantins, morreu aos 34 anos na manhã desta segunda-feira, 19 de agosto de 2024, após uma batalha contra um câncer. Natural de Brasília, ela atuou em veículos locais e nacionais, mas foi no estado que construiu sua trajetória mais marcante, especialmente no esporte, onde abriu caminhos para outras mulheres na profissão.
Thalita Tavares começou a carreira ainda jovem, em meados dos anos 2000, quando o esporte tocantinense dava seus primeiros passos em termos de profissionalização. Na época, a cobertura esportiva no estado ainda era incipiente, com poucas oportunidades para quem queria se dedicar ao segmento. Ela se destacou ao cobrir não apenas os grandes eventos, como campeonatos estaduais e regionais, mas também o dia a dia de atletas amadores e profissionais que lutavam por espaço em um cenário ainda em formação. Seu trabalho ajudou a dar visibilidade a nomes que, sem a imprensa atenta, dificilmente teriam destaque fora das quadras ou campos.
No Tocantins, o esporte sempre enfrentou desafios como a falta de investimento e a dificuldade de manter times e atletas em atividade. Thalita Tavares foi uma das poucas profissionais que se dedicou a mostrar essa realidade, seja nas páginas dos jornais impressos, seja nas transmissões de rádio ou televisão. Ela não apenas relatava resultados, mas também contava as histórias por trás das competições, dando rosto aos esportistas que muitas vezes eram esquecidos pela grande mídia. Seu estilo direto e sua capacidade de se aproximar das fontes fizeram dela uma figura querida entre atletas, técnicos e dirigentes.
Sua trajetória no estado incluiu passagens por emissoras de rádio e televisão de Palmas, onde morou por anos. Em um mercado onde a cobertura esportiva ainda engatinhava, ela foi uma das primeiras a tratar o assunto com a seriedade que merecia, mesmo quando os recursos eram escassos. Thalita também atuou em veículos de comunicação de outras cidades tocantinenses, sempre levando a pauta esportiva a sério, independentemente do tamanho do evento. Seu trabalho ajudou a pavimentar o caminho para que outras mulheres ingressassem na área, quebrando barreiras em um meio ainda dominado por homens.
A notícia de sua morte repercutiu rapidamente entre colegas de profissão e pessoas que conviveram com ela. Nas redes sociais, colegas de trabalho e atletas que foram beneficiados por sua cobertura deixaram depoimentos de carinho e respeito. "Ela foi uma das primeiras a acreditar no esporte tocantinense quando ninguém dava bola", escreveu um ex-atleta em sua homenagem. Outro profissional da área lembrou que Thalita sempre esteve disposta a ouvir histórias e a dar voz a quem precisava, mesmo quando o assunto não era glamuroso.
No Tocantins, o esporte vive momentos de transformação. Projetos como o *Tocantins Esporte*, que busca incentivar a prática esportiva em escolas e comunidades, têm ganhado força nos últimos anos. A morte de Thalita Tavares chega em um momento em que o estado tenta se consolidar como polo esportivo na região Norte, com investimentos em infraestrutura e formação de atletas. Sua trajetória serve como lembrete de que, além dos resultados, é preciso dar atenção àqueles que constroem o esporte no dia a dia.
A Associação Tocantinense de Imprensa (ATI) já se manifestou sobre o legado de Thalita. "Ela foi uma profissional que mostrou que o esporte não é apenas sobre vitórias, mas sobre pessoas", afirmou o presidente da entidade. A entidade também anunciou que vai promover um debate sobre o papel da mulher na cobertura esportiva, em homenagem à jornalista. O evento deve ocorrer ainda este ano, reunindo profissionais e estudantes da área.
Thalita Tavares deixa um marido e dois filhos. O velório acontece nesta terça-feira, 20 de agosto, no cemitério Parque das Primaveras, em Palmas. A missa de corpo presente está marcada para as 10h. O enterro será às 14h, no mesmo local. A família pede que, em vez de flores, sejam feitos doações para instituições que apoiam crianças e jovens em tratamento oncológico no estado.
Sua morte deixa uma lacuna no jornalismo esportivo tocantinense, mas também um exemplo de dedicação. Em um estado onde o esporte ainda luta por reconhecimento, profissionais como Thalita Tavares foram essenciais para mostrar que, mesmo com poucos recursos, é possível fazer a diferença. Agora, resta àqueles que seguem seus passos manter viva a chama que ela acendeu.
A cobertura esportiva no Tocantins segue em transformação, com novos veículos e profissionais surgindo a cada ano. Mas o vazio deixado por Thalita Tavares será sentido por muito tempo, especialmente por quem teve o privilégio de trabalhar ao seu lado ou de ser beneficiado por seu trabalho. Seu legado não está apenas nos textos que escreveu, mas na forma como ajudou a moldar o esporte no estado.