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Reconhecimento federal valoriza quebradeiras de coco babaçu no TO

Atividade tradicional do Bico do Papagaio é oficializada como cultura nacional pela Lei 15.431 sancionada em Brasília

📝 Redação CCN24 de junho de 2026 às 11:28👁 3 leituras
Reconhecimento federal valoriza quebradeiras de coco babaçu no TO

As quebradeiras de coco babaçu do Tocantins comemoram um marco histórico: a atividade que sustenta famílias há gerações no estado acaba de ser reconhecida como manifestação cultural nacional. A lei federal que oficializa o ofício foi sancionada durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, em Brasília, e agora ganha força para ser preservada e disseminada.

A notícia chega como um alento para centenas de mulheres que tiram o sustento das palmeiras espalhadas pelo norte tocantinense. Em municípios como Araguatins, São Sebastião do Tocantins e Buriti do Tocantins, o trabalho das quebradeiras não é apenas uma tradição — é a principal fonte de renda para famílias inteiras. O coco babaçu, antes visto como mero recurso natural, agora tem seu valor cultural e econômico reforçado por uma legislação federal. A lei, de número 15.431, foi publicada no Diário Oficial da União e já começa a ser comemorada nas comunidades, onde as mulheres se reúnem para quebrar o coco e vender a amêndoa ou o óleo extraído.

O reconhecimento não é apenas simbólico. Para as quebradeiras, ele abre portas para políticas públicas que possam fortalecer a atividade, como acesso a crédito, assistência técnica e até mesmo a comercialização em escala maior. A Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), que representa centenas de quebradeiras no Tocantins, já planeja usar o novo status para buscar parcerias com órgãos estaduais e federais. "Esse reconhecimento é um passo importante para garantir que nosso trabalho não desapareça", afirmou uma das lideranças da associação, que preferiu não se identificar.

A atividade das quebradeiras de coco babaçu é uma das mais antigas do norte do Tocantins, onde a palmeira é abundante. No Bico do Papagaio, região que abrange municípios como Ananás, Axixá do Tocantins e Riachinho, o coco babaçu sempre foi parte da vida das comunidades. As mulheres, responsáveis por coletar, quebrar e processar a amêndoa, enfrentam desafios como a sazonalidade da produção e a falta de estrutura para escoar os produtos. Agora, com o reconhecimento federal, a expectativa é de que esses obstáculos sejam amenizados.

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, já se manifestou sobre o tema. Em nota, a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro) informou que vai estudar formas de apoiar as quebradeiras, seja por meio de programas de fomento ou de capacitação. "O governo estadual está atento a essa conquista e vai trabalhar para que as quebradeiras tenham condições de manter sua atividade com dignidade", declarou um assessor da pasta.

Para além do aspecto econômico, o reconhecimento da quebradeira de coco babaçu como cultura nacional reforça a importância da preservação ambiental no Tocantins. A palmeira, que cresce em áreas de cerrado e floresta, depende de um manejo sustentável para não ser dizimada. Com a valorização do ofício, as comunidades passam a ter mais incentivo para proteger a espécie, que também é habitat de animais e contribui para a biodiversidade local.

As quebradeiras agora aguardam os próximos passos. A ASMUBIP já sinalizou que vai pressionar por políticas públicas específicas, como a criação de um selo de origem para os produtos derivados do coco babaçu produzidos no Tocantins. Além disso, a associação planeja articular com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para desenvolver técnicas que aumentem a produtividade sem agredir o meio ambiente.

O movimento das quebradeiras no Tocantins não está sozinho. A atividade também é tradicional em estados como Maranhão, Piauí e Pará, onde a cultura é ainda mais forte. No entanto, no Tocantins, a luta das mulheres por reconhecimento ganhou força nos últimos anos, com a organização em associações e a participação em feiras e eventos que valorizam a cultura regional. Agora, com a lei federal, o estado ganha um novo protagonismo nesse cenário.

A notícia chega em um momento em que o Tocantins debate a diversificação da economia, especialmente no norte do estado. Projetos como a pavimentação de estradas que ligam municípios do Bico do Papagaio a Palmas e a outras regiões já são realidade, mas ainda falta infraestrutura para escoar a produção das quebradeiras. Com o novo reconhecimento, a esperança é de que investimentos públicos e privados cheguem para transformar a atividade em um exemplo de desenvolvimento sustentável e geração de renda no campo.

As quebradeiras de coco babaçu do Tocantins agora têm um futuro mais claro pela frente. O reconhecimento federal não apaga as dificuldades enfrentadas diariamente, mas abre um caminho para que a tradição não se perca e, quem sabe, se torne um símbolo de resistência e identidade para o estado.