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Reconhecimento federal valoriza quebradeiras de coco babaçu do Tocantins

Atividade tradicional do Bico do Papagaio é oficializada como patrimônio cultural nacional em lei sancionada em Brasília

📝 Redação CCN17 de junho de 2026 às 10:07👁 1 leituras
Reconhecimento federal valoriza quebradeiras de coco babaçu do Tocantins

As quebradeiras de coco babaçu do Tocantins comemoram um marco histórico. A atividade, que há décadas sustenta famílias no norte do estado, acaba de ser reconhecida oficialmente como manifestação cultural nacional. A lei federal que oficializa o título foi sancionada durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, em Brasília, e agora integra o patrimônio imaterial do Brasil.

A notícia chega como um alívio para centenas de mulheres que dependem do extrativismo do coco babaçu para sobreviver. No Tocantins, a prática é mais forte na região do Bico do Papagaio, onde comunidades ribeirinhas e agricultoras familiares transformam a palmeira em renda, alimento e matéria-prima para artesanato. A lei federal, de número 15.431, foi publicada no Diário Oficial da União e já começa a circular entre as associações que representam essas trabalhadoras.

Para as quebradeiras, o reconhecimento não é apenas simbólico. Ele abre portas para políticas públicas que possam fortalecer a atividade, como acesso a crédito, assistência técnica e comercialização. A Associação das Mulheres Trabalhadoras Extrativistas do Bico do Papagaio (ASMUBIP), que há anos luta pela causa, comemora o momento. "Esse título é uma vitória para todas nós", afirmou uma das lideranças da associação, que preferiu não se identificar. "Agora, podemos cobrar do governo mais apoio para nossas comunidades."

A região do Bico do Papagaio, que abrange municípios como Araguatins, Augustinópolis e São Bento do Tocantins, sempre teve no coco babaçu uma fonte de sustento. A palmeira, típica da Amazônia Legal, é aproveitada de ponta a ponta: o coco é quebrado para extrair a amêndoa, usada na produção de óleo e farinha, enquanto as folhas servem para fazer esteiras e artesanatos. O extrativismo, no entanto, sempre enfrentou desafios, como a falta de regularização fundiária e a concorrência com grandes empreendimentos agrícolas.

O reconhecimento federal chega em um momento em que o Tocantins discute a diversificação da economia. O estado, conhecido pela produção de soja e pecuária, tem buscado alternativas para gerar renda em áreas menos favorecidas. Para as quebradeiras, a lei pode ser um passo para garantir que o extrativismo do babaçu seja incluído em programas de desenvolvimento regional, como o Plano Tocantins Sustentável.

A ASMUBIP, que representa cerca de 500 mulheres em 12 municípios do Bico do Papagaio, já planeja ações para aproveitar o momento. A associação deve protocolar pedidos de apoio junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e ao Ministério da Cultura. "Vamos cobrar que o estado cumpra seu papel", disse uma das diretoras da entidade. "Precisamos de políticas que garantam preços justos para nosso produto e que protejam nossas áreas de extrativismo."

O reconhecimento também coloca o Tocantins em destaque no cenário nacional de preservação cultural. Estados como Maranhão, Piauí e Pará, onde a atividade também é tradicional, já haviam conquistado títulos semelhantes. Agora, o Tocantins se junta a eles, fortalecendo a identidade das comunidades do norte do estado. A lei federal, no entanto, ainda precisa ser regulamentada, e as quebradeiras aguardam ansiosas por detalhes sobre como o governo federal e estadual vão implementar as mudanças.

Enquanto isso, nas comunidades do Bico do Papagaio, a notícia já circula de boca em boca. Mulheres que passaram a vida quebrando coco agora veem a possibilidade de um futuro mais seguro para suas filhas. "Isso é mais do que um título", diz uma quebradeira de Augustinópolis. "É a certeza de que nosso trabalho não será esquecido."

O próximo passo é pressionar para que a lei saia do papel. A ASMUBIP já agendou reuniões com deputados estaduais e federais para discutir a regulamentação. Enquanto isso, as quebradeiras seguem firmes, com as mãos calejadas e o orgulho de quem sabe que sua luta finalmente foi ouvida.